Cresci dentro de um campo que seu Laudo Ferreira, pai, me criou onde não havia, não se imaginava de jeito algum, qualquer tipo de preconceito, cresci com a absoluta ciência de que somos todos iguais e que as diferenças apenas fazem parte de um mundo todo múltiplo, apenas isso. Cresci sem nunca ter pensando que meu pai era negro, minha mãe branca, e eu com uma suave mistura que os anos foram transformando. Meu convívio posteriormente com essas outras pessoas negras... afro-descendentes, muito me ajudou a reafirmar a base humana e absoluta de meu pai e essa base que germinei em Gabriel, meu filho. Nesse dia de hoje, da consciência negra, onde um demônio configurado de ser humano, exala sua ignorância não contra negros, mas contra o princípio da alma humana, rasgando um cartaz que mostra a verdade da relação polícia e negros, torna-se fundamental a cada dia que essa consciência se reforce, não só pelos negros, mas pelos gays, pelas mulheres, pelos pobres, por aqueles que a dita raça verdadeira (seja ela qual for) sempre coloca à margem. Estupidez sem fim, sem limites, não entendendo o óbvio que quando matamos ou ofendemos um negro, um homossexual, um mendigo, ou seja quem for, estamos ofendendo a nossa própria cara perante o espelho, nossa própria alma e nos enterrando em algo que não deveríamos de hipótese alguma querer ir. Dando alimento para aquilo que nos devora. Olho a lembrança de meu pai, e penso que a mistura é a forma sempre mais sublime de entendermos que somos umas coisa só e que cor e outras coisas que nos separam deveria ser simplesmente aquilo que nos aproxima.
20 de novembro de 2019
O DIA DA CONSCIÊNCIA DE TODOS NÓS
O senhor Laudo Ferreira, meu pai, figura austera, bravo, porém muito honesto, que retratei no meu livro “Cadernos de Viagem” como uma forma de dizer do meu amor por ele, algo que quando era vivo nunca nos dissemos, era o que hoje se chamaria da cor negra. Ele era realmente. Assim como seus irmãos eram, tanto na pele como como no cabelo. Suas tias que conheci na minha infância eram mais escuras que ele. Uma família negra. Minha professora de primário, que fora professora do meu pai também, figura tão importante na minha primeira fase da vida, inclusive sendo a primeira pessoa a descobrir meu talento para desenho (e posteriormente que eu era daltônico), também era negra, dona Eulina... Tive o prazer de homenageá-la recentemente no livro “O santo Sangue” na pele da personagem “bruxa”, tão bem retratada pelo parceiro Marcel Bartholo, quase como que psicografando o rosto dela. Dona Eulina, com certa fazia suas alquimias na vida, eu de certa forma, sou resultado dessas magias. Há uns bons anos atrás, tive o imenso prazer de ser amigo da Dona Nathalia, preta velha, mãe de santo, dona de terreiro, dona de uma escola de samba em Diadema, onde colaborei alguns anos aprendendo e desenhando os figurinos de sua escola. Ficamos amigos profundos rapidamente, assim como de toda sua família, filhas e netas (o matriarcado imperava ali) e agregados, como seu querido Genro, o Nando, e foi com ele que criei o costume de chamar a Dona Nathalia de “preta velha” e foi por causa desse jeitão carinhoso de chamá-la, que uma ocasião muito pra frente, após o falecimento dessa tão querida amiga, que tive uma muito engraçada comprovação que além do véu, existe muita coisa, mas isso é um outro papo.
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Fontes carinhosas e inspiradoras,
O meu grande amor,
Uns
11 de junho de 2018
AS HISTÓRIAS QUE COMPÕE O PLANO DE VOO (Final)
Contar processos de criação de
uma história em quadrinhos a mim sempre foi interessante e de certa forma acaba
sendo um aprendizado a mais sobre o que se faz, pois muitas vezes esses
processos caminham por um lado mais
inconsciente, mais intuitivo do que técnico e comentar sobre eles é uma forma
de trazer para o lado do discernimento o que pode ser sempre um auxílio para
aqueles que estão começando a produzir suas hq’s, como para os que já estão há
algum tempo trabalhando nesta forma de arte, como, claro, para mim, entender e
pensar melhor sobre meus processos. Então, hoje trago para vocês a postagem
final sobre o álbum Plano de Voo, lançado no ano passado pelo Editora Criativo
e que reúne algumas hq’s curtas que produzi para algumas revistas como Café
Espacial, Clássicos Revisitados, Fierro Brazil, entre outras.
- AS VIAGENS
DO CAPITÃO VIRGÍLIO, roteiro e desenhos meus, publicado originalmente na
revista Café Espacial edição 10 em 2011. A questão da dualidade, dos polos,
permeia minha obra não de hoje, algo que muito mexe com a minha capacidade,
entender até onde essas inúmeras possibilidades pode mexer com a consciência de
todos nós. Nesta hq exploro os dois tempos de Virgílio, onde num plano ele é um
intrépido navegador desbravando mares misteriosos e enfrentando seu eterno
inimigo, o demônio da realidade, que a todo instante tenta jogá-lo em outra existência
onde é um velho doente vivendo num sanatório para idosos e doentes mentais. O
que é realidade, qual delas pode ser a melhor?
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| Poder e sedução num jogo de realidades em "Sob o véu de Ísis" |
-SOB O VÉU
DE ÍSIS, roteiro e desenhos meus, publicado originalmente no álbum Clássicos Revisitados
número três, em 2015. Mais uma vez a questão do que é real, do que nossos olhos
e nossa mente sabem traduzir. Como essa
coleção procura trabalhar com temas específicos, aqui me foi solicitado uma hq
sobre Cleópatra e achei que seria bem interessante tratar sobre o poder e suas
reais dimensões e a quem afeta e talvez, o equívoco de se pensar dominar algo e
se tornar escravo de seu próprio poder, até que você seja absolutamente consumido
por ele, perdendo sua consciência. Na hq, conto quando o imperador romano
Otaviano invade Alexandria para prender Cleópatra e Marco Antonio, após
encontrar o oficial romano amante da rainha do Egito morto, Otaviano depara com
a sensual faranis o esperando em seus aposentos. E mais uma vez o que é real ou
não é exposto, aqui com conclusões terríveis.
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| Amores revividos em "Sambinha da ave de arribação" |
- A HISTÓRIA
DO OVO, roteiro e desenhos meus, publicada originalmente na edição onze da
revista Café Espacial em 2012. Primeira aparição do matador Vérnio, que retornará
agora no segundo semestre no álbum O santo sangue, ilustrada pelo artista
Marcel Bartholo. Maiores detalhes comento aqui no blog. Vérnio, um velho e
cansado matador é contratado por um bruxo moribundo para levar uma misteriosa
caixa preta até um outro vilarejo e entrega-la ao irmão de seu contratante. A
surpresa que o espera no final, define o personagem ao leitor: como muitas vezes
estamos próximos, quase colados em algo que irá nos apresentar uma nova
possibilidade de entendimento de vida e simplesmente não queremos entender.
- SAMBINHA
DA AVE DE ARRIBAÇÃO, roteiro e desenhos meus e publicada originalmente na
edição cinco da revista Café Espacial em 2009. Apesar do clima melancólico e
poético desta hq, ela é na verdade uma grande brincadeira com alguns gêneros do
próprio quadrinho, embora ela tenha sua dose de seriedade e poesia, mesmo
assim. A melhor definição desta história acredito ser melhor deixa-la ao
próprio leitor. Aqui, um artista lembra
uma fase de sua adolescência e um grande amor vivido e a traição sofrida,
enquanto espera esse mesmo antigo amor para um reencontro num bar. Uma hq
carregada de humor sutil e poesia sincera para falar de traição e perdão.
E por fim, mais vez, quem gostou e se interessou por esse material meu, o álbum Plano de Voo está à venda na loja virtual do meu site.
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25 de maio de 2018
AS HISTÓRIAS QUE COMPÕE O PLANO DE VOO 1ªparte
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| Capa da edição |
No ano passado a editora
paulistana Criativo lançou uma nova coleção de seus álbuns voltados à artistas
da ilustração e quadrinhos, a Graphic Book, trazendo material inédito de alguns
artistas e obras já esquecidas pelo tempo e nunca mais republicadas, muita
coisa boa e principalmente um resgate da produção nacional de quadrinhos. E foi
através deste selo, Graphic Book, que lancei Plano de voo, coletânea de hq’s
curtas que fiz ao longo dos anos para algumas publicações como a revista Café
Espacial, Fierro Brasil e Clássicos revisitados, entre outras. A contracapa
traz um texto do Sergio Chaves, editor da Café Espacial, revista cultural longeva o qual tive o prazer de participar desde o primeiro número, além de
roteirista e parceiro de meus últimos trabalhos, fazendo toda a parte de edição
e edição de arte. Quero então apresentar
para vocês, o processo de criação das hq’s que compõe esse álbum, como e por
que fui faze-las, principalmente criar suas histórias, o que motivou, qual os
caminhos que elas levaram. Processos estes interessantes para quem aprecia e
acompanha meu trabalho, assim como para novos e já nem tanto jovens assim criadores de
quadrinhos, pois trocas de informações sempre são importantes.
- A QUEM
INTERESSAR POSSA, roteiro e desenhos meus com tons de cinza do Omar Viñole e
publicada originalmente na revista Fierro Brasil nº2 no ano de 2012. O convite para produzir uma hq de três
páginas para a segunda edição da versão brasileira da revista argentina Fierro,
veio num período em que eu passava por uma crise artística, onde entre tantos
conflitos me questionava a serventia, a validade do que vinha fazendo, o porquê
de ainda fazer quadrinhos, a eterna dúvida se o meu trabalho se comunicava com
alguém. Uma onda terrível onde se é levado e em alguns casos morre-se afogado
neste oceano depressivo. Porém, em meio a toda essa carga negativa, existia um
ponto dentro de mim que sabia que não valia a pena sofrer tanto e que muito
mais importante era manter o sonho, aquilo que até então vinha me alimentando.
Convite feito, resolvi então arriscar trabalhar em cima desta crise pessoal na hq e
usar os dois contrapontos, o artista e seu problema pessoal e uma consciência
falando enfim do quanto importante é manter-se fiel a seu sonho e essa
consciência estava representada numa personagem sem nome, jovem, sexy, de
estilo moderno. A musa. Aqui nesta hq os dois únicos personagens, o artista e a
musa, são as variáveis de minha personalidade.
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| Sequência inicial de "A quem interessa possa" |
- BELLA SENZ’ANIMA,
roteiro e desenhos meus, publicada originalmente na revista Pâncreas nº02, no
ano de 2010. O título desta hq foi inspirado na velha canção italiana de título
homônimo e nada mais é que um exercício de fluxo da consciência, deixando a
cabeça correr solta e em cima do clima que a canção pôde me gerar. Claro, há a
pergunta: por que essa canção? A resposta faz parte daquelas coisas muito
difíceis de explicar e vale acrescentar que não sou nenhum fã da referida canção.
-O RETRATO
DE SEUS OLHOS, roteiro Sergio Chaves e desenhos meus, publicada originalmente
na revista Café Espacial nº 12, no ano de 2013. Primeira vez que ilustrei um
roteiro do Sergio e justamente ele coube como uma luva dentro de uma linha de
histórias que gosto muito de trabalhar. Um brevíssimo momento em à mente do
protagonista para dentro de um outro campo onde o sentimento é exposto ao
máximo para que algo a mais e verdadeiro seja descoberto. O clima é ao mesmo
tempo de pura poesia, lisérgico e onírico, onde o texto do Sergio foi preciso e
inspirador para que eu compusesse as imagens.
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| Poesia e clima onírico em "O retrato de seus olhos" |
- O HOMEM
QUE NÃO SORRIA, roteiro e desenhos meus, publicada originalmente na revista Máquina
Zero nº 02 no ano de 2015. A ideia desta hq é muito similar a Questão de Karma,
ou seja, algo que partiu de uma situação única, um tópico, que então gera todo
o roteiro. No caso deste quadrinho trata-se justamente do que o título já diz:
um homem que nunca sorria e para compor essa característica que é na realidade
um drama para o protagonista, a trama conta a história de um homem casado com a
filha de um milionário e este amaldiçoava o dia em que sua única herdeira
resolvera se casar com um zé ninguém, pobretão. Disposto a amarrar seu genro a
uma tragédia pessoal para o resto de sua vida, esse velho no leito de morte diz
que irá abençoar seu casamento e deixar toda a herança para sua filha e para
ele, se cumprir uma promessa para o resto de seus dias: nunca mais sorrir. Após
fazer esse estranho pedido o milionário morre deixando então o protagonista sem
muita opção e este resolve seguir à risca o pedido do sogro, porém as coisas acabam
saindo do controle.
Para que
esta postagem não fique tão grande irei dividir em duas partes, portanto na
próxima falo sobre o resto das hq’s que compõe o álbum Plano de Voo.
E claro, se
ficou interessado em conhecer de perto e ler essas hq’s, ela está à venda na
loja virtual do meu site .
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7 de maio de 2018
OS CAMINHOS DIVERSOS DE UM PERSONAGEM JÁ NO FIM
Já comentei algumas vezes
neste blog sobre os curiosos caminhos que uma criação leva ou no caso desta
postagem de hoje, um personagem. Muitas vezes ele segue por trilhas diferentes
do que originalmente havíamos concebido, isso eu digo, independentemente de sua
popularidade. O personagem Vérnio, um matador já com sua idade um pouco
avançada, com uma aposentadoria longe de acontecer, vivendo num universo que
mistura sertão e outros elementos não tão ligados entre si, foi criado em 2012
para uma hq curta chamada A história do ovo, publicada na edição 11 da
revista Café Espacial (publicada pela Associação Café Espacial), nesta história
o leitor é apresentado a essa matador que tem a missão de levar uma pequena
caixa de um vilarejo destruído após o ataque de bandidos para um outro
vilarejo. O trabalho lhe é dado por um bruxo à beira da morte que o contrata
para levar a seu irmão, outro bruxo, a tal caixa. No caminho ele passa por
algumas provações que testam sua fidelidade a seu objetivo, até enfim chegar ao
vilarejo. Vérnio é quase um simbolismo, pelo menos essa foi minha primeira
intenção, do ser humano em si, sempre à beira da compreensão do simples e necessário
para que se viva em paz consigo e com o resto, porém sempre tropeçando e caindo
em seus princípios. Daí a lição vivida na “aventura” não é aprendida, apenas
vivida, não assimilada, e assim segue adiante envelhecendo e com sua espingarda
cada vez mais pesando em suas costas. Vérnio, um homem velho, cansado, preso ao
seu início, ao que lhe foi formatado e se auto formatou, sem entender que tudo
sempre muda. Foi dentro deste preceito julguei que esse personagem caberia numa
aventura maior, num álbum.
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| Primeira versão não finalizada com cores de Omar Viñole |
O santo sangue foi escrito há uns cinco ou seis
anos, não me recordo agora, e trazia o personagem num outro momento,
completamente desassociado da primeira hq. Desta vez é contratado por um rico
fazendeiro para matar um misterioso ex-funcionário que segundo ele, havia
tirado a virgindade de sua única e querida filha e lançado uma maldição sobre
ela, só que tal maldição na realidade mostrou-se um benefício para o humilde
povo da região: todos os dias durante algumas horas, Lucem (a filha do
fazendeiro) sangra, um tipo de menstruação constante e ininterrupta e este
sangue expelido da moça tem poderes curativos, trazendo milagrosas curas para
as pessoas que a ela procuram. Inconformado com tudo isso pois sua fazenda
havia se tornado um lugar de peregrinação, além de tudo, este fazendeiro põe o
matador, Vérnio, atrás desse suposto malfeitor de sua filha. Mais uma vez, o
matador irá passar por confrontos colocando à prova várias questões, inclusive
coisas relacionadas a sua história pessoal. A hq começou a ser desenhada por
mim há alguns anos atrás, com cores e arte-final do Omar Viñole, parceiro de
outros trabalhos meus (Yeshuah, Histórias do Clube da Esquina, Auto da barca do
Inferno, etc.), porém o trabalho acabou não tendo continuidade por alguns
fatores, entre eles a produção de outro projeto, Cadernos de Viagem, lançado em
2016. E é aí que entra o talentosíssimo artista Marcel Bartholo: conhecido meu
há alguns anos, vem se enveredando nos quadrinhos há pouco tempo e com
resultados surpreendentes e foi em uma das conversas, acredito eu, em um dos
eventos de quadrinhos do país que lhe propus uma parceria, desenhar um roteiro
meu. Marcel aceitou o convite de imediato e não
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| O artista Marcel Bartholo |
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| Primeira aparição do matador Vérnio em "A história do ovo", publicada na edição 11 da revista "Café Espacial" |
6 de abril de 2018
MAIS UMA FILHA PARA DRÁCULA
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| A jovem vampira que faz seus selfie com suas vítimas |
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| Capa da nova edição |
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| Delegado Janus e Fred, dois antigos personagens rivalizando com Anya |
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| O roteirista Lillo Parra |
Como disse, a ideia toda é
diversão, entretenimento. De minha parte, talvez mais divertir do que assustar
e isso por si só já vale muito, além de acrescentar mais uma filha ( meio
badass, mas tudo bem) pra essa minha prole de mulheres desenhadas.
Para saber mais sobre o Festival Guia dos Quadrinhos é conferir aqui
e para adquirir as revistas Mestres do Terror e Calafrio, é entrar em contato com o editor
através da página no Facebook
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16 de março de 2018
TIANINHA E OS CAMINHOS PARA SUAS HISTÓRIAS
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| Capa da segunda revista da personagem |
Acredito que não exista uma regra de fato
para se criar. Criar um roteiro. Muita gente tem seus métodos e nele mantém seu
ritmo de criação constante. No caso hoje falo com vocês de roteiro de uma
História em Quadrinhos, claro, ponto base deste blog. Para mim, sempre
trabalhei das mais diversas formas possíveis e para que melhor entendam, darei
alguns exemplos: a trilogia Yeshuah - tinha uma linha mestra, uma espinha
dorsal que era a história de Jesus em si e como não havia intenção de modificar
a “sinopse original”, digamos assim, fui criando o roteiro à partir de cada cena que ia desenvolvendo, ou seja, do início até o fim do roteiro que gerou quase
quinhentas páginas de quadrinhos, tudo
foi criado à partir de cada bloco, cada sequência, isso ao longo de treze anos
que foi o tempo que levei para produzir toda a trilogia. Ou seja, muita coisa,
ou arrisco a dizer que quase que em sua totalidade das coisas pensadas para o
último livro, Onde tudo está, lá atrás, enquanto trabalha no roteiro e
desenhos simultaneamente de Assim em cima assim embaixo, o primeiro livro,
não haviam sido pensadas. Foram acontecendo no decorrer da criação do texto e
arte da terceira parte. Particularmente acho essa experiência de criação muito
interessante e desafiadora, porém, não é uma regra na minha forma de escrever
roteiros. Claro que esse processo funciona comigo porque sou o autor do texto e
da arte, então a criação simultânea torna-se um interessante processo.
Alguns
outros trabalhos meus como Questão de Karma (desenhado pelo Alexandre
Santos), Histórias do Clube da Esquina, a minissérie Depois da meia-noite e Cadernos de Viagem, para citar alguns, tiveram seus processos muito
semelhantes e mais tradicionais, digamos assim, ou seja, escrevi o roteiro na
íntegra, da primeira página à última e aí depois fui trabalhar nos desenhos. Meu
mais recente roteiro que breve pretendo começar os seus desenhos, As tentações
de Santo Antão, também trabalhei dentro deste processo tradicional, embora
algo no conceito foi repensado bem posteriormente e curiosamente não altera
nada do texto, mas sim da concepção visual. Experiências fantásticas.
Enfim,
toda essa apresentação na verdade é para falar de O gran circo Orgasmático,
segunda revista da série da Tianinha, lançada em fevereiro. Nessa nova aventura
da loira, ela ainda está no Nepal (confira as postagens anteriores, onde
explico sobre essa nova fase da personagem), porém pretende sair do país para
conhecer o resto do mundo. Sem dinheiro para esse salto, busca um velho amigo
residente em Katmandu, capital do país, para pedir um auxílio, que lhe é negado
devido a antigas rusgas, a má fama da Tianinha, ainda a precede. Nesse caminho,
a loira encontra Thelonius Blasco, misteriosa figura, dono do tal Gran Circo
Orgasmático do título. Convidada a trabalhar no respectivo circo, Tianinha
descobre que se trata de um show que propõe uma liberação sexual da plateia e
dos artistas, através da inalação de um gás alucinógeno que mistura entre
outras coisas hormônios femininos e masculinos. Apesar deste aparente
espetáculo de interação demasiada entre público e as figuras que comandam o
espetáculo, jovens, homens e mulheres, todos sensuais e muitos dispostos ao
sexo, Tianinha desconfia que toda essa parafernália sexual nada mais é que um
subterfúgio para de certa forma alimentar Thelonius Blasco, talvez, um tipo de
vampiro sexual. Porém, como fora convidada a trabalhar no circo pelo próprio,
ela resolve comprar a briga.
Quando foi pensado inicialmente, este roteiro,
apresentava algumas ideias, como Thelonius ser um tipo de antagonista da
Tianinha, para essa e futuras aventuras. Mas a proposta desta série é
justamente não ter um fio condutor, ou seja, o que foi pensado para o primeiro
número, não é necessariamente o que se seguiu para o segundo (embora sim, há
ligações entre as edições), então devo confessar que a essa altura já não posso
garantir para vocês que Thelonius irá continuar a ser simplesmente um
antagonista, acredito que há um campo maior e mais interessante a ser
explorado. Os roteiros das revistas da Tianinha também são escritos da forma
tradicional, ou seja, escrevo da primeira à última página e depois vou para
prancheta desenhar, porém, assim como a personagem, quando abandona o templo
encravado numa montanha do Nepal para seguir o rumo de seu destino sem saber ao
certo o que virá pela frente, venho trabalhando assim seus roteiros. Fechei a
história da segunda edição, que não se completa (olha o spoiler aí!!), porém,
sem saber ao certo que rumo essa mesma história tomará na terceira edição e nem
mesmo se irá ter seu desfecho. Claro que muita coisa vai somando a essa
experiência de criação e uma delas é saber da reação dos leitores a cada
edição. Se loira Tianinha não sabe do seu futuro, experenciando a cada edição
suas aventuras, o mesmo posso lhes dizer deste criador aqui. E isso é bom
demais.
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| Nesta nova fase da personagem, alguns velhos hábitos não existem mais |
Ficou interessado nesta nova aventura da Tianinha? Vá na minha loja virtual. É só clicar aqui.
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Tianinha
3 de março de 2018
SUBINDO O OLIMPO TROPICAL (final)
Em uma das inúmeras, milhares de
conversas que tive com o André Diniz ao longos dos anos em nossa longeva
amizade, uma ocasião, nesse período que começávamos a trabalhar em Olimpo
Tropical, mais especificamente eu, desenvolvendo os estudos dos personagens,
falávamos do interesse em comum em trabalhar com outras possibilidades de
quadrinhos, no que se refere ao cair no lugar
comum de criar histórias
violentas, tanto conceitualmente quanto visualmente, para nós, o momento que
cada um vinha passando com renovações pessoais, era esboçar novos caminhos e
principalmente novas possibilidades no campo da criatividade. Resumo: esta
coisa não nos interessava mais. Porém, o paradoxo estava estabelecido. Com um
modo de pensar sobre o trabalho, sobre as coisas que se queria e não fazer pela
frente, com uma história justamente falando sobre o violento universo do
tráfego na favela? Para o André, estava muito claro, que era algo que precisava
contar e, não se tratava diretamente de uma história de violência. Violência
por violência. Isso em conversas posteriores, sobre o roteiro em si, foi muito
conversado entre nós.
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| Capa da edição portuguesa lançada pela Polvo Edições |
Naquele período, dois mil e quatorze, havia terminado
Yeshuah – onde tudo está, terceiro livro da trilogia Yeshuah e que fora, uma
profunda experiência pessoal e artística que obviamente promovera profundas
modificações na minha forma de pensar quadrinhos, especificamente falando. Vale
adiantar para vocês que Olimpo Tropical era para ter sido meu primeiro trabalho
pós encerramento da trilogia Yeshuah. Não acabou acontecendo. Contrato e
publicação já pré-definidas com a editora Polvo de Lisboa/Portugal, algo realmente
bloqueou meu processo de criação desta hq. Algo impediu que eu mergulhasse
nesse profundo mar que era conceber visualmente o roteiro do André. O pré-julgamento
cristão de nós ocidentais, impedia num primeiríssimo momento um mais
aprofundado entendimento deste roteiro. Por aí, vale dizer, ou melhor confessar
que a coisa realmente não prosseguiu, embora claro, os trabalhos de
quadrinização já vinham acontecendo, mas num processo lentíssimo e, nesse tempo
acabei lançando Dedos Mágicos, Questão de Karma e Cadernos de Viagem. É claro,
que conhecedor da infindável qualidade de narrador de histórias que o André tem
e, principalmente um talento de parir personagens demasiadamente comuns,
corriqueiros e riquíssimos em suas personalidades e psicologias a serem
estudadas (estudiosos dos quadrinhos atentem a isso!), muito me incomodava o
fato de não assumir os trabalhos com fervor e disposição desta hq, até porque o
meu parceiro e velho e querido amigo esperava isso de mim.
Um fato raro onde me
arrisco a dizer que provavelmente seja a primeira e única vez que tenha feito
até o momento, reli o roteiro umas quatro vezes. Li sequências espaçadas,
enfim, fui os poucos percebendo qual era o discurso, as metáforas, os
simbolismos que estavam ocultos nos personagens, em seus sentimentos, no
cenário em si. Muita coisa acredito que puro entendimento meu e claro, isso é
que valeu para que mais que virar o ilustrador do roteiro, eu virasse realmente
um coautor, que é assim que tem que ser.
Não quero me estender em minhas
percepções deste roteiro e seus sutis momentos, às vezes fortes, às vezes
delicados. Isso é fundamental que seja deixado e principalmente permitido para cada leitor. Um
trabalho riquíssimo do André. Quando comentei anteriormente da questão do
pré-julgamento, justamente me vi caindo na obviedade de querer escrever ou
desenhar roteiros onde o discurso pacífico vinda direto como uma bandeira
tremulando, pouco percebendo que as coisas podem vir às vezes muito mais fortes
do que as outras explicitadas. Um velho criador como eu, não percebendo essa
lei, num primeiro momento, porém, atento para aprender. Uma aula e um aprendizado que me fez
mergulhar então, como queria, profundamente na narrativa visual de Olimpo
Tropical. O resultado foi mais que feliz para mim, para o André, para os
leitores. A obra vem seguindo, desde o seu lançamento, no final de dois mil e
dezessete durante o Comic Con Experience, uma história muito feliz, tanto em
Portugal, onde foi publicada inicialmente, quanto aqui e com certeza, pelos caminhos
que for seguir no futuro.
Ficou interessado na leitura deste meu mais recente trabalho? Na loja virtual do meu site está à venda, clicando aqui.
Ficou interessado na leitura deste meu mais recente trabalho? Na loja virtual do meu site está à venda, clicando aqui.
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| Delírio, medo e tormento na mente de Biúca, o protagonista de "Olimpo Tropical" |
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