22 de agosto de 2026
UMA BAITA E BELA COLETÂNEA
31 de julho de 2026
VELHAS ROUPAS COLORIDAS INSPIRADORAS
Há alguns bons anos somei a todos os meus trabalhos, não importa o gênero-drama, comédia, terror, ficção-científica, espiritualista- enfim, quais forem os gêneros que venha a atrever a trabalhar, somei uma estética que remete aos anos sessenta e setenta, principalmente no tocante a moda. Cresci nesse período, dos anos 70 e o cinema, principalmente, me marcou muito. Existe todo um lado transgressor em inúmeras produções que me fizeram a cabeça e, acredito que no decorrer das décadas, muita coisa produzida então, não conseguiu se nivelar na ousadia de muitos filmes e que por isso, ainda são referência. A moda tanto masculina como feminina, ainda hoje (óbvio, daí por trazê-la para meu trabalho) chamam o meu interesse: pelo estilo, charme, classe, ousadia, mesmo que muita coisa soe brega. Mas claro, essa releitura sempre, dentro do que é possível no meu propósito criador, atualizada nos dias de hoje, pois é para os dias atuais e leitores atuais que se produz.Em Cabaret X, gibizão que estou produzindo com a talentosíssima Germana Viana, criei a série Mondo Balordo. O título remete diretamente aos clássicos pseudodocumentários sensacionalistas produzidos nos anos 60 da série Mondo, onde tínhamos Mondo Cane, que deu início a tudo e depois vieram as variações: Mondo Pazzo, Mondo Trash e claro, Mondo Balordo. Vale acrescentar que Balordo é uma produção de 1964, italiana, que explora justamente as ditas excentricidades do mundo mostradas na película, daí o "balordo", ou traduzindo, algo como Mundo Bizarro, Mundo Insano. Então, além de se ajustar na estética do enredo da série, também enquadra completamente com o conceito desse estranho mundo futurista retratado na hq.
Os figurinos dos personagens já trazem essa salada, misturando o estilo setentista com a atualidade. O título desse primeiro episódio é A palo seco. A frase, de origem espanhola significa algo como, direto, sem rodeios, cru, e também inspirou um poema de João Cabral de Melo Neto, que por sua vez, inspirou o cantor e compositor Belchior a criar uma canção com o mesmo título nos anos setenta e é justamente aí que reside a fonte para o título e fechamento da primeira hq de Mondo Balordo. O grupo guerrilheiro da série que faz uma ataque direto no palácio do planalto do governo fascista (daí a coisa toda de A palo seco) se denomina Barato Vermelho, a ideia é uma junção do título de outra clássica canção escrita nos anos setenta por Gilberto Gil e eternizada na voz de Gal Costa, Barato total, com o vermelho ligado diretamente às ações contrárias, ardentes, vorazes, de esquerda. Somam esses dois pontos a toda uma alegoria estética e ideológica dos personagens que compõe o grupo e se tem Barato Vermelho.
Em Mondo Balordo há ainda referências e inspirações estéticas menores e outras que virão nos futuros próximos episódios (sim, porque esse gibi vai vingar!). As cores da hq, trarão também a força das cores primárias, ligando diretamente a Arte pop, onde os quadrinhos são um dos seus representantes máximos. Por um lado não tão prazeroso, posso dizer assim, de um modo mais sucinto, ela, a série, traz todo esse posicionamento contra essa ideologia arcaica, fascista, preconceituosa, onde muita gente no mundo quer perpetuar, trazer de volta, algo que definitivamente deveria estar se não excluída da nossa sociedade, pelo menos em fase de exclusão. Os tempos por mais que difíceis, ainda hoje, a resistência é preciso, nos sonhos, nos atos, no pensar, na vida. E ainda trazendo esse grande poeta da música, Belchior, vale lembrar um trecho de uma outra clássica canção sua, Velha roupa colorida:
Você não sente, não vê mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Cabaret X, de Germana Viana e Laudo Ferreira, será publicado pela Zarabatana Books e está em campanha de pré-venda no Catarse
27 de julho de 2026
ESSE ESTRANHO, ESTRANHO MUNDO!
Cabaret X, esse novíssimo projeto de gibi que está sendo produzido pela Germana Viana e eu, trará duas séries: Casa de Saliência, já descrito pela criadora, a própria Germana, recentemente nas redes sociais e Mondo Balordo, criado por mim. Essa série traz um futuro bem próximo, 2076, onde uma sociedade teocrática regida por um governo fascista, de extremada direita, encabeçada pelo presidente Alvamar , controla a população e vai, transformando a realidade do país através da mídia, para que a força desse regime se estenda muito mais e se torne um estado mental da nação, eliminando completamente com o passar dos tempos, qualquer resquício de uma sociedade livre e mais humana. Esse regime totalitário e extremamente violento, busca inclusive a eliminação de pessoas e ideias, que não estejam adequadas a todo esse plano ditador de sociedade arregimentada. Contra esse mental fascista, um grupo de guerrilheiros denominados Barato Vermelho, tenta através de ações diretas, pungentes e libertadoras, eliminar as células desse governo. O grupo é liderado pelo casal Jorge de Capadócia e Santa Clara. Nessa intensa luta pelo exorcismo de uma nação, o casal e os outros membros do Barato Vermelho ainda enfrentam o sacerdote Mallemus, a sádica ministra Dumpzilla e o exército de soldados máquinas denominados Sujeito a Guincho. O episódio dessa primeira edição se chama A palo seco e trata-se de uma referência a uma clássica música do cantor e compositor Belchior , aliás a série Mondo Balordo é toda alicerçada em referências clássicas dos anos 60 e 70 que desde sempre permeiam meus trabalhos. Na próxima postagem aqui no blog irei esmiuçar para vocês sobre elas e como se adequam à proposta do enredo da série.
Cabaret X , como eu e a Germana Viana definimos: romances gráficos de libertinagem e falta de pudor, está em pré-venda através do Catarse e você pode garantir seu exemplar através desse link https://catarse.com.br/cabaret-x
23 de julho de 2026
GIBI NOVO EM PRÉ-VENDA
Entrou em pré venda essa semana o projeto da revista Cabaret X, que criei juntamente com a tremenda artista e querida amiga Germana Viana, e será publicado pela editora Zarabatana Books. Por enquanto é isso, mas volto a falar aqui da série que desenvolvi para esse trabalho.
O link da pré venda no Catarse
12 de julho de 2026
O CAMINHO DO RISCADO parte 04
A mudança de acabamento, a arte-final e claro, consequentemente o desenho estava tomando conta completamente da minha visão de produção artística. Ao mesmo tempo que já não enxergava mais desenhar/arte-finalizar meus desenhos como vinha fazendo há anos em trabalhos como Yeshuah e Olimpo Tropical, por exemplo, havia um certo e pode se dizer conforto em trabalhar assim, primeiramente porque nos primeiros rabiscos no papel, mesmo sem ter passado nanquim, já tinha a visão antecipada do resultado e principalmente de sua qualidade, dentro claro, do meu jeito de desenhar. E isso é confortante, como disse, inclusive, de certa forma, embasado pelos leitores dos meus trabalhos que gostavam dessa linha nos meus desenhos. Mas a intenção estava absoluta e começou a ser feita, de modo muitíssimo discreto, quase imperceptível em As senhas de Charlotte, álbum lançado em 2020, pela Epígrafe Editorial, editora de Foz do
Iguaçu, ligada a Associação Internacional para Expansão da Conscienciologia - AIEC, trabalho fantástico que infelizmente ficou reduzido, até o momento, aos membros dessa associação. A hq de edição luxuosíssima, vale, quem sabe, uma futura postagem aqui, contando seus processos de criação, tem roteiro adaptado de um livro de Honoré de Balzac, pelo Lillo Parra e cores do Omar Viñole, curiosamente, esse trabalho marca também nossa última parceria. Enfim, no decorrer dos desenhos dessa História em Quadrinhos, ia sutilmente experimentando a intenção de limpar o meu desenho. Quem ler, irá ver meu traço ainda carregado de hachuras, pequenos detalhes de risquinhos e tudo que vinha há anos fazendo, mas há momentos, mais uma vez comentando aqui, em que suprimia isso, deixando poucas coisas e isso valeu para realmente me julgar apto para mudar radicalmente meu traço.O passo seguinte veio na produção de Aymará, parceria que estabeleci com a filósofa, escritora e espiritualista Rita Foelker, lançado em 2021 pela editora Café Espacial. Foi nesse trabalho que resolvi mudar radicalmente meu desenho e meu acabamento, indo de encontro diretamente às intenções. Não me pouparia. Por se tratar, inclusive de um projeto autoral, ou seja, não havia nada me impedindo. De quebra, resolvi experimentar algo além dessa mudança do desenho: fazer uma página com muito mais quadros. Geralmente minhas páginas possuem cinco, seis quadros, na época e mesmo hoje, resolvi que Aymará , teria uma decupagem de páginas influenciada pelas hq's européias, ou seja, dez, doze, treze quadros. Mudando inclusive minha percepção de contar a cena e forma narrativa. Uma experiência enriquecedora, que muito me agradou e que também, mostrou-me outras possibilidades na
manufatura de um contar quadrinhos e, que não repeti mais essa experiência e digo que, urgentemente preciso fazer algo assim novamente. Na ocasião, a visão desse desejo, desse anseio, plasmado nas páginas dessa hq, foram muito mais que satisfatórias. Realmente foi a consolidação que essa mudança para minha carreira nos quadrinhos, precisava acontecer. Vale ressaltar que no âmago da coisa, não alterou em nada meu modo de conduzir a linha narrativa de uma história: o modo de pensar as cenas, planos, ângulos e tudo mais, mas trouxe uma nova forma de se trabalhar, acho que posso dizer assim, toda essa percepção, pois afinal de contas, o desenho era outro. E, falando em desenho, um detalhe muito fundamental para essa mudança promovida na ocasião, um pouco antes dos desenhos de Aymará, creio eu, foi uma conversa que tive com o Ilustrador e designer Flavio Soares.Naquele período, conversava com alguns amigos ilustradores sobre a questão do traço e, foi justamente o Flavio que trouxe algo de um campo inusitado, que selou a minha intenção: ele comentou o quanto gostava do meu traço na série de tirinhas do personagem David Escarlate , pelo design e pela síntese toda.
Aquilo me soou tão inusitado, vindo de um lugar tão inesperado, que depois do espanto inicial, trouxe-me um imediato entendimento e aceitação, como respondi para ele: ...e faço isso (o desenho das tiras) sem sofrer! É rápido. E era esse o segredo: não é preciso "sofrer" para produzir uma página e gerar seu efeito, a coisa tem que ser simples e eficaz. Ao Flavio Soares, aliás, meu agradecimento pela contribuição nesse processo. Aymará , finalizado e entrando em pré-produção para publicação, já comecei então a pensar sobre o próximo trabalho que, já andava pela minha cabeça há alguns anos: As tentações de Santo Antão.
16 de maio de 2026
A ODISSÉIA DE NINGUÉM
Falando um pouco mais dessa talentosa e querida amiga Adriana Avelino, ela recentemente me homenageou criando essa página, que talvez... talvez... possa ter continuações, chamada Laudisséia. Pelo título, obviamente dá para perceber os elos, a simbologia da coisa toda e o mais interessantes, a ideia/intenção, nasceu de alguns dos muitos papos nossos à distância, via aplicativo.
Desfrutem!
Para conhecer mais do trabalho da Adriana Avelino é só clicar aqui
14 de maio de 2026
BRINCANDO DE RELEITURAS
11 de maio de 2026
... MAIS UM DEDO DE PROSA!
...e a tremenda artista dos quadrinhos e da literatura Adriana Avelino, fez um entrevista tremenda comigo, à propósito do futuro lançamento da primeira edição da Biblioteca Brasileira de Quadrinhos, que trará um apanhado desses anos todos de minha carreira nos quadrinhos. O bate-papo vai num crescendo delicioso, que só uma pessoa talentosíssima e sensível como ela, conseguiriam extrair.
Links para você conhecer o trabalho dessa artista: aqui e aqui
7 de maio de 2026
MAIS BATE-PAPO NO AR!
No final do ano passado, 2025, participei do podcast da escola estúdio Modelo Design, aqui em São Paulo, conversando com seus artistas e professores Thyago Bastos e Luis Ayala, onde em um pouco mais de uma hora falamos sobre a profissão de desenhistas, processos de criação nos quadrinhos e mais algumas outras coisas. Papo delicioso, o pessoal da escola me acolheu com um carinho tremendo.
Site da Modelo Design
2 de maio de 2026
BATE-PAPO NO AR
25 de abril de 2026
TEM MAIS ZÉ DO CAIXÃO CHEGANDO!
30 de março de 2026
TEMPO DE MATURAÇÃO
A última postagem que trouxe aqui nesse meu tão querido e velhinho blog, sobre as capas dos gibis do Zé do Caixão que produzi ao longo desses anos de trajetória, me suscitou a lembrança de uma situação vivida por ocasião da produção do álbum Zé do Caixão lançado pela Editora Marsupial em seu selo Jupati Books em 2016. Nessa publicação fora compilado as duas adaptações que fiz dos dois primeiros filmes do personagem, À meia-noite levarei a sua alma e Esta noite encarnarei em teu cadáver, sendo que a primeira adaptação havia sido publicada em 1995 pela Editora Nova Sampa e a segunda, apenas uma parte dela num projeto de minissérie, lançada pela Taquara Editorial, que acabou não se concretizando por problemas da casa publicadora, ficando apenas no primeiro número do que seria em três partes. Bem, tudo isso mais ou menos comentei na postagem anterior.
| Lucio Luiz, dono da Editora Marsupial |
A obra original, o filme do José Mojica Marins, é uma obra prima do cinema brasileiro e mundial, por centenas de motivos que, de minha parte dispensa comentá-los, pois já foi mais do que escrito, falado e comentado pelo país e pelo resto do mundo ao longo de décadas. Visceral, pungente, autentico e mais uma infinidade de adjetivos para no mínimo definir À meia-noite levarei a sua alma. Minha versão em quadrinhos, no meu modo de pensar na ocasião, era algo bem simples, quase sem um pensar mais aprofundado sobre o que estava fazendo ou seja, adaptando esse clássico que ia além do filme de terror, a estética, a forma gráfica de mostrar esse ícone da cultura nacional, quase ou já folclórica, era quase amadora e de um desenho bem deficiente. Em resumo, a obra e seu criador mereciam algo mais à sua altura, como já acontecera no passado, mais especificamente em final dos anos sessenta, quando o próprio Mojica produziu seus quadrinhos com dois mestres absolutos, Nico Rosso e Rodolfo Zalla. O peso das comparações...
Lucio insistiu no resgate dessas duas publicações e da importância que teria dentro do panorama das hq's nacionais, claro que isso tudo me deixava lisonjeado, porém o elemento crítico que existe em todo artista, falava mais alto. Meu olhar sobre essa hq era diferente: para mim, julgava tratar-se de um trabalho muito fraco no que se refere ao desenho e todas as as possibilidades narrativas próprias para uma hq, diferente do que vinha produzindo, principalmente pelos resultados que vinha obtendo com a publicação até então da trilogia Yeshuah, ou seja, não me agradava trazer à baila novamente esse trabalho que tinha, como disse tanta ressalvas. Então, durante o tempo de nossa estadia em Belo Horizonte, por ocasião do evento, muito foi conversado entre eu e Lucio e sempre tendo um não como resposta.
Já em São Paulo, algum depois, numa passagem pela capital, Lúcio Luiz é natural do Rio de Janeiro, durante um almoço juntamente com Flavio Soares, quadrinista, ilustrador e designer da Editora Marsupial na época, o assunto do álbum veio novamente à tona, já colado com minha negativa em relação à publicação de À meia-noite levarei a sua alma. Foi então que Flavio, tirou do bolso, uma ideia, no mínimo genial, que me deixou completamente sem ação para continuar na negação desse quadrinho: criar uma hq curta, como um tipo de introdução, de prefácio para o álbum, onde justamente eu contaria todo esse perrengue de minha parte, ou seja, todas as questões de não gostar da qualidade do meu trabalho feito naquela época, na insistência do Lúcio Luiz, a questão do resgate histórico, tudo num tom humorado e, a hq justamente culminaria com a aparição da entidade Zé do Caixão cobrando de mim essa decisão para liberar a hq, pois afinal, ele é o personagem focado, tudo embalado com as clássicas pragas que o agente funerário tornara famosas. A hq, de três páginas (um prefácio) termina com o Mojica em sua casa recebendo a notícia por telefone do Lúcio, informando que misteriosamente eu,enfim, concordara com a publicação.
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| Trecho do prefácio desenhado da edição "Zé do Caixão" |
Zé do Caixão foi publicado em 2016, contendo as duas hq's, mais esse prefácio desenhado e um outro texto meu comentando sobre todo processo criativo no adaptar os filmes do Mojica, o fazer também hq's curtas e inéditas naquele período, juntamente com ele, criando os roteiros e o tanto de aprendizado de vida e de fazer arte que tive nas muitas conversas que tivemos ao longo dos anos. A publicação foi um grande sucesso, vende bem até hoje, pois vire e mexe autografo essa edição em alguns eventos que participo.
Mas, trazer esse assunto para vocês, está numa questão um pouco maior que simplesmente um fato ocorrido com a publicação desse gibi (sim, bato na mesma tecla, vamos falar gibi!)...
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| Capa da nova edição publicada pela Tábula |
Em 2025, o Douglas da editora Tábula, casa publicadora que frequentemente participo com colaborações em suas diversas publicações, me propôs uma nova edição da adaptação de À meia-noite levarei a sua alma, pois já havia conversado com a Liz Marins, atriz, filha do Mojica e quem cuida dos direitos da obra do pai, que já havia autorizado a republicação e só faltava o meu ok, coisa que imediatamente teve o consentimento de minha parte. Falamos sobre o desenvolvimento de uma nova capa, onde foi proposto que ela se baseasse no cartaz original do filme de 1964 (na postagem anterior comento sobre isso) e assim, a nova edição da versão para quadrinhos do clássico filme do José Mojica Marins foi lançada no final deste mesmo ano, durante a CCXP- Comic Con Experience, evento fundamental para a cultura pop que acontece aqui em São Paulo, todos os anos.
A rápida aprovação de minha parte, trouxe-me uma curiosa reflexão logo após o envio da resposta ao diretor da Tábula, sobre a tranquilidade, a aceitação desse trabalho, que tive. Uma curiosa sensação de calmaria na cabeça, no emocional, uma libertação, posso até arriscar a dizer. Diferente da negação quase absoluta que tive há dez anos atrás com a proposta da primeira republicação da Marsupial, num ímpeto quase (ou talvez totalmente) egocêntrico de julgar que o trabalho estava muito abaixo da qualidade do que então produzia na época. Esquecendo, mas esquecendo de uma forma absurda, que ele representava muito, mas provavelmente cem por cento, o sonho do menino de vinte e poucos anos, idade que tinha quando desenhei a hq de se lançar para o mundo, conquistando pessoas com o desejo de contar histórias desenhadas. O quadrinho tinha sim, sua validade, não só pela ideia em si da quadrinização do filme, pela aprovação do próprio cineasta, mas por ser absurdamente honesto no que se propôs e principalmente porque na época, a hq simplesmente foi desenhada, sem contaminações do ego que o tempo traz para a gente e que às vezes nos leva distantes da premissa do sonho inicial.
Só com o tempo e com tanta coisa vivida, principalmente no campo pessoal-artístico e o entendimento, ou o princípio dele, que a idade traz, é que é possível, com a alma mais leve, mais pura, apenas dar um brevíssimo consentimento de algo que foi negado antes. Entendendo e principalmente aceitando e amando o que você foi, pois só assim se consegue prosseguir.
| Trecho do perfácio desenhado da edição de 2016 de "Zé do Caixão" |
1 de março de 2026
NO RASTRO DA MULHER-DIABA
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| Ataíde Braz, roteirista e criador da Mulher-Diaba |
8 de dezembro de 2025
AUTOGRAFANDO EXEMPLARES DO YESHUAH
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| Com o Leonardo, um dos tantos leitores da hq que estiveram presentes |
Não falha! Todos os eventos de quadrinhos/cultura pop que participo, seja em que local for do país, sempre tem leitores que trazem seus exemplares de Yeshuah absoluto para eu autografar. É um negócio que me deixa tremendamente emocionado, lisonjeado, feliz, enfim, não tenho adjetivos. Nessa edição de 2025 da CCXP a coisa extrapolou, pois a quantidade de Yeshuahs que autografei nesses dois dias de evento foge a regra. Gente de Curitiba, Belo Horizonte, Bahia, Rio de Janeiro. Pessoal encara horas de carro e ônibus para vir ao evento, trazendo em suas mochilas/malas exemplares (às vezes mais de um) meio pesadinho, pois o livro tem 500 páginas, capa dura, aquelas coisas para ganhar um autógrafo em suas edições. Quero de todo meu coração (e com certeza, em nome do Omar Viñole, meu parceiro nesse livro) agradecer a todos vocês pelo imenso carinho para com esse trabalho. Afinal foi feito para vocês.
2 de novembro de 2025
CONTANDO CANÇÕES
Nas minhas últimas postagens, tenho comentado sobre a grande influência que a estética dos anos 60 e 70 vem tendo nos meus quadrinhos, principalmente no visual, mas não só a estética, como também uma reinterpretação de algumas ideias e conceitos, histórias e personagens. E, refletindo melhor, isso não é de hoje. Se pensarmos, lá atrás, já em 1995, eu já vinha, de certa forma, cultivando isso quando lancei a adaptação do filme “À meia-noite levarei sua alma”, do José Mojica Marins, o popularíssimo Zé do Caixão. Bem, eis que, no final do ano passado ou início deste, não me recordo bem agora, veio uma deliciosa e inusitada proposta dos editores independentes Marcio Sno e Paulo Kobielski: participar de uma coletânea em que, juntamente com outros artistas dos quadrinhos, iria se dar uma leitura para canções clássicas do cantor e compositor Odair José. Como disse, uma deliciosa e inusitada proposta, prontamente aceita.
Cresci nos anos 70. Entre tantas outras coisas (gibis, cinema, televisão), ouvia
muito rádio com minha mãe. E, vale lembrar que não existia naquela época essa
coisa de rádio AM e FM como posteriormente aconteceu; era tudo uma coisa só. Lá
ouvi muita música realmente popular, e antológicos radialistas como Haroldo
de Andrade e Barros de Alencar. Até mesmo o mitológico Silvio
Santos teve seu programa diário. E o desfile de cantores era infinito: Roberto
Carlos (que meu pai era fã absoluto), Agnaldo Timóteo, Antônio
Marcos, Paulo Sérgio, Benito Di Paula, Wanderléa, Rosemary,
Claudia Barroso, Waldick Soriano, entre muitos, muitos. E tinha Odair
José, que de certa maneira me chamava a atenção pelo seu visual, um pouco
diferente daqueles galãs cantores (como eram chamados na época): cabeludo,
muito magro, um olhar distante, sério, e, principalmente, cantando coisas que,
então, para um menino de 12/13 anos, soavam estranhas. "Eu vou tirar
você desse lugar": que lugar era esse? "Para de tomar a
pílula?": que pílula? para quê? Vale salientar que falo de meio dos
anos 70, e só aí existe uma diferença muito grande de um menino daquela época
para hoje.
Retornando então: a proposta para participação nessa revista, que se chamaria "Gibi Proibido" (referência a outra clássica canção de Odair, "Revista Proibida"), a ideia para mim seria dar uma leitura justamente para um outro clássico absoluto, "Eu vou tirar você
desse lugar": a história do cara que fala para uma garota de programa que trabalha em uma casa de prostituição, ao qual se apaixonou perdidamente, que irá levá-la daquele lugar onde ela trabalha para que ambos construam uma vida de amor pleno. A HQ, então, teria um outro campo de visão, que seria da garota ao qual o personagem da canção e do quadrinho faz a promessa, aguardando, sonhando então com esse dia e a dura consequência dessa realidade.
Trabalho lançado. Prontinho para vocês lerem e conhecerem. O gibi traz ainda
Bira Dantas, Germana Viana, Kico Garcia e Kris Zullo,
grandes artistas dos quadrinhos também trazendo suas interpretações. A revista
você encontra no meu site.
Uma honra, uma delícia, e mais uma concretização para uma linha de pensar e
fazer quadrinhos que vem se estabelecendo em minha cabeça.
Ah, sim, em novembro fizemos um lançamento aqui em São Paulo da revista, com
a presença minha, do Kris Zullo, Germana Viana e do editor Marcio Sno, além,
óbvio, do próprio Odair... e num determinado momento foi dado pelo próprio um spoiler
de algo que virá para 2026. Quem esteve presente pode saber, quem não, é
aguardar.
Odair José com o editor Marcio Sno, os desenhistas Kris Zullo, Germana Viana e eu.
4 de junho de 2025
CELEBRANDO UM GRANDE MESTRE
1 de junho de 2025
TRABALHANDO NA ADAPTAÇÃO DE UM CLÁSSICO GÓTICO
Em 2019 li pela primeira vez o clássico conto de John Polidori, O vampiro, e, embora conhecesse o enredo e a história real que originou essa obra, nunca cheguei a ter interesse na leitura. Porém naquele período estava muito interessado em obras pulps, peanny dreadfulls e temas desses gêneros. A história real conta sobre a noite chuvosa num nobre casarão na Suíça, onde Mary Shelley, Percy Shelley, Lord Byron e seu médico, John Polidori, que num jogo para ver quem pensaria a história mais assustadora de terror, viram nascer pela mente de Mary Shelley, a obra clássica definitiva, Frankenstein, mas também, foi nessa noite que nasceu esse outro clássico, que serviu de base para muitas outras obras futuras como Drácula de Bram Stoker e Carmilla de Sheridan Le Fanu.
Essa leitura me impactou muito, pelo caráter da história em si, seus personagens e, principalmente, mesmo influenciando obras clássicas do gênero, ainda assim trazia suas diferenças, suas qualidades únicas. Foi então que já em 2020 em conversa com o pessoal da editora Ultimato do Bacon, propus a quadrinização fiel desse conto de Polidori. Sem querer fazer releituras, pois, a obra para mim era é tão perfeita que dispensaria (pelo menos para mim) um outro olhar e assim, foi publicada em 2021, inaugurando a editora e abrindo a coleção Escafandro, que por sinal, está aí até hoje com grande sucesso de vendas.
2 de janeiro de 2024
O QUE VEM POR AÍ EM 2024 (assim espero)
Nesse ano que acabou de acabar, minhas atualizações neste, ao qual sempre me refiro como “meu bom e velho blog”, procurei manter um razoável ritmo de postagem. Não com aquela frequência ao qual muitas vezes pretendi, mas dentro da medida do possível estive comparecendo e compartilhando com vocês diversas coisas ligadas ao meu trabalho.
Trazendo então minha primeira postagem de 2024, quero mostrar alguns dos projetos em andamento e outros já concluídos que provavelmente serão lançados ao decorrer deste ano. Obviamente não depende só de minha vontade (quem dera assim fosse!), mas envolve outros tantos independentes de minha pessoa.
Não precisa me amar toda hora
Roteiro de Sergio Chaves. Querido amigo de longuíssima data. Editor, roteirista e design, que há quinze anos vem trazendo sua fundamental revista de cultura em geral, e claro, muito quadrinho, Café Espacial. Premiada inúmeras vezes com o HQ Mix. A hq conta sobre os conflitos pessoais e amorosos, e tudo misturado, de Simone uma mulher madura, professora, assim como das pessoas à sua volta: seu marido, um caso amoroso e uma amiga. Tudo ambientado numa metrópole paulistana. Dentro do processo de quadrinização que venho desenvolvendo, procurei dar um clima, um ritmo muito, mas muito inspirado nos filmes da Novélle Vague dos anos 60, assim como outros clássicos do cinema europeu deste mesmo período como Anônimo Veneziano. E tudo muito regado, obviamente a uma trilha sonora deste mesmo período e principalmente desses filmes e outros, ambientando o estúdio na hora de produzir as artes. Obviamente, na ocasião do lançamento voltarei a falar melhor dessa hq.
O homem do lado de fora
Roteiro meu, com arte estupenda de Rodrigo Mazer. Trata-se também de um roteiro produzido há algum tempo, assim como Não precisa me amar toda hora, e que teve todo um percurso até ser realizado. Aqui, um psicólogo pesquisador da expansão da consciência e seus métodos para tal realização, dr. Jefferson, enquanto realizava uma de suas experiências, acaba desdobrando sua consciência, atravessando as barreiras da realidade e enxergando o mundo, ou a verdade, como ela realmente é e, principalmente o horror que isso representa não só para ele como para todos nós. A arte hiper-realista do talentosíssimo Rodrigo Mazer traz o tom perfeito que esta história precisa ter.
Letícia faz cinemaRoteiro de Antonio Vicente Pietro, é uma viagem idílica e psicodélica por um universo do cinema clássico de todas as épocas e gêneros, tendo como protagonista, obviamente a Letícia do título: uma atriz que se submete à todas possibilidades que cada momento por ela vivido e experimentado dentro do universo cinematográfico. Muito sexo, sadomasoquismo e outros delírios.
O alimento do DragãoRoteiro meu com arte estupenda de Marcel Bartholo. Anteriormente já havíamos feito O santo sangue, que inclusive ganhou um HQ mix de Melhor Roteirista. Esta hq traz uma nova peripécia de Vérnio, o matador de aluguel, protagonista de O santo sangue. Aqui, o personagem já está numa idade mais avançada que em sua aventura anterior e com problemas recorrentes, como a visão fraca e tremores nas mãos. Mesmo assim, precisando arrumar de dinheiro para seu sustento, inclusive para comprar seus remédios, aceita mais trabalho sujo: eliminar uma família de retirantes que se abrigaram nas terras de um latifundiário. A questão perene em toda história que envolve de certa forma todos os personagens é, o que alimenta realmente sua existência? Você tem fome de que? E assim, como em O santo sangue, a expectativa é se Vérnio irá ter uma nova experiência de vida e irá entender que é hora de mudar seu destino ou irá continuar preso à seus princípios?
Todas essas produções em andamento (exceto O homem do lado de fora que já está totalmente finalizado) ainda estão sem editora, vale acrescentar e obviamente sem previsão exata de lançamento. Como disse, há um projeto de quem sejam lançados ao decorrer deste ano.
Há ainda a série Ménage que faço com Germana Viana e Marcatti que deverá ter sua edição de número sete já em produção brevemente e outros projetos já concluídos há mais de uma ano e que ainda não posso divulgar. Vamos torcer que este ano, também saiam do forno.
Começando o ano com uma perspectiva de semear e colher o fruto de tantos anos de amor por essa arte de contar e desenhar histórias.
30 de julho de 2023
SEMPRE A POESIA!
27 de outubro de 2021
AYMARÁ, LANÇAMENTO E NOVA PARCERIA
Há vários trabalhos meus comentados aqui, mas há outras tantos que cometi o deslize de simplesmente deixar passar. Cadernos de Viagem, lançado em 2015 é um desses casos e ele está de certa forma ligado a esse novo trabalho que estou lançando agora em Outubro de 2021. Feito em parceria com a escritora, filósofa, pesquisadora e espiritualista Rita Foelker, Aymará,
essa hq lançada pela Editora Café Espacial, volto a trabalhar com temas que a mim são caros: espiritualidade, aprendizado, entendimentos, cura, transcendências, compreensão... vários temas, vários assuntos que em verdade todos estão entrelaçados a uma coisa só: amor.
Aymará conta a história de Ariel, jornalista, que durante um final de semana na praia, vivencia experiências pessoais que serão transformadoras. Por ser uma pessoa enraizada em suas convicções, sua forma de observar a vida e principalmente se relacionar com as pessoas, com seus amigos, tem toda essa postura jogado pro ar, forçando-a se adaptar às diversas situações vivenciadas e principalmente entender a si e aceitar os outros. Aymará é a pessoa, podemos dizer assim, que será o observador e conselheiro da jovem nesta jornada pessoal nesses dias no litoral. Uma misteriosa figura ligada ao povo Aymará, que vive em países da américa do sul, como Bolívia e Chile. Somente Ariel vê e conversa com ele, oque torna mais estranho e misterioso, pois quem ou o que é ele?
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| Rita Foelker, parceria do novo livro. |
O livro já se encontra à venda na loja do meu site, link aqui.









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