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22 de agosto de 2026

UMA BAITA E BELA COLETÂNEA

            Acabou de sair do forno (e já enviado para aqueles que adquiriram na pré-venda) a Biblioteca Brasileira de Quadrinhos - Laudo, publicação da editora Go!!!Comics, novíssima parceira nas aventuras por esse universo de criar e publicar hq's. A edição está em um nível apuradíssimo, tanto pelo seu design quanto na qualidade de papel de miolo e capa. Trata-se de uma coleção criada pela Go!!! do qual tenho a tremenda honra de estrear.                    
            Para esse primeiro número que abrange uma produção minha de hq's curtas publicadas ao longo de vinte anos em diversas revistas mix, selecionei doze histórias que acredito, mostrem a diversidade de gêneros que busco navegar, passando pelo faroeste, terror, comédia, ficção-científica, existencialista e por aí segue. Há também duas histórias inéditas produzidas especialmente para essa publicação. Para cada história há um texto de abertura onde explico os processos de sua criação, o por que, os caminhos que me conduziram para sua feitura e tudo mais que julguei (ou me lembrei) ser interessante compartilhar. Há ainda uma galeria de extras com diversas ilustrações feitas ao longo dos anos, pin-ups, para diversas publicações e mesmo internet. De quebra, um texto sobre a Tianinha, sua criação e um pouco de sua história e uma relação com todos os títulos de suas hq's publicadas ao longo dos nove anos de produção de sua série na revista Total, mais a segunda série publicada entre 2017 e 2020. Na edição traz também as capas de quase todos os meus trabalhos solos publicados ao longo de mais de quarenta anos de carreira. Enfim, uma baita edição pra quem quer melhor conhecer sobre meu trabalho, um pouco da minha história nas Histórias em Quadrinhos Brasileira.                                       
             Se interessou? Entre em contato com a Go!!! Comics  através desses endereços aqui ou aqui.                                                         

 

31 de julho de 2026

VELHAS ROUPAS COLORIDAS INSPIRADORAS

 

            Há alguns bons anos somei a todos os meus trabalhos, não importa o gênero-drama, comédia, terror, ficção-científica,  espiritualista- enfim, quais forem os gêneros que venha a atrever a trabalhar, somei uma estética que remete aos anos sessenta e setenta, principalmente no tocante a moda. Cresci nesse período, dos anos 70 e o cinema, principalmente, me marcou muito. Existe todo um lado transgressor em inúmeras produções que me fizeram a cabeça e, acredito que no decorrer das décadas, muita coisa produzida então, não conseguiu se nivelar na ousadia de muitos filmes e que por isso, ainda são referência.  A moda tanto masculina como feminina, ainda hoje (óbvio, daí por trazê-la para meu trabalho) chamam o meu interesse: pelo estilo, charme, classe, ousadia, mesmo que muita coisa soe brega. Mas claro, essa releitura sempre, dentro do que é possível no meu  propósito criador, atualizada nos dias de hoje, pois é para os dias atuais e leitores atuais que se produz.

Em Cabaret X, gibizão que estou produzindo com a talentosíssima Germana Viana, criei a série Mondo Balordo. O título remete diretamente aos clássicos pseudodocumentários sensacionalistas produzidos nos anos 60 da série Mondo, onde tínhamos Mondo Cane, que deu início a tudo e depois vieram as variações: Mondo Pazzo, Mondo Trash e claro, Mondo Balordo. Vale acrescentar que Balordo é uma produção de 1964, italiana, que explora justamente as ditas excentricidades do mundo mostradas na película, daí o "balordo", ou traduzindo, algo como Mundo Bizarro, Mundo Insano. Então, além de se ajustar na estética do enredo da série, também enquadra completamente com o conceito desse estranho mundo futurista retratado na hq. 


            Os figurinos dos personagens já trazem essa salada, misturando o estilo setentista com a atualidade. O título desse primeiro episódio é A palo seco. A frase, de origem espanhola significa algo como, direto, sem rodeios, cru, e também inspirou um poema de João Cabral de Melo Neto, que por sua vez, inspirou o cantor e compositor Belchior  a criar uma canção com o mesmo título nos anos setenta  e é justamente aí que reside a fonte para o título e fechamento da primeira hq de Mondo Balordo. O grupo guerrilheiro da série que faz uma ataque direto no palácio do planalto do governo fascista (daí a coisa toda de A palo seco) se denomina Barato Vermelho, a ideia é uma junção do título de outra clássica canção escrita nos anos setenta por Gilberto Gil e eternizada na voz de Gal Costa, Barato total, com o vermelho ligado diretamente às ações contrárias, ardentes, vorazes, de esquerda. Somam esses dois pontos a toda uma alegoria estética e ideológica dos personagens que compõe o grupo e se tem Barato Vermelho.


           Em Mondo Balordo há ainda referências e inspirações estéticas menores e outras que virão nos futuros próximos episódios (sim, porque esse gibi vai vingar!). As cores da hq, trarão também a força das cores primárias, ligando diretamente a Arte pop, onde os quadrinhos são um dos seus representantes máximos. Por um lado não tão prazeroso, posso dizer assim, de um modo mais sucinto, ela, a série, traz todo esse posicionamento contra essa ideologia arcaica, fascista, preconceituosa, onde muita gente no mundo quer perpetuar, trazer de volta, algo que definitivamente deveria estar se não excluída da nossa sociedade, pelo menos em fase de exclusão. Os tempos por mais que difíceis, ainda hoje, a resistência é preciso, nos sonhos, nos atos, no pensar, na vida. E ainda trazendo esse grande poeta da música, Belchior, vale lembrar um trecho de uma outra clássica canção sua, Velha roupa colorida:

Você não sente, não vê mas eu não posso deixar de dizer, meu amigoQue uma nova mudança em breve vai acontecerO que há algum tempo era novo, jovemHoje é antigoE precisamos todos rejuvenescer

            Cabaret X, de Germana Viana e Laudo Ferreira, será publicado pela Zarabatana Books e está em campanha de pré-venda no Catarse 



27 de julho de 2026

ESSE ESTRANHO, ESTRANHO MUNDO!


            Cabaret X, esse novíssimo projeto de gibi que está sendo produzido pela Germana Viana e eu, trará duas séries: Casa de Saliência, já descrito pela criadora, a própria Germana,  recentemente nas redes sociais e Mondo Balordo, criado por mim.                                             Essa série traz um futuro bem próximo, 2076, onde uma sociedade teocrática regida por um governo fascista, de extremada direita, encabeçada pelo presidente Alvamar , controla a população e vai, transformando a realidade do país através da mídia, para que a força desse regime se estenda muito mais e se torne um estado mental da nação, eliminando completamente com o passar dos tempos, qualquer resquício de uma sociedade livre e mais humana. Esse regime totalitário e extremamente violento, busca inclusive a eliminação de pessoas e ideias, que não estejam adequadas a todo esse plano ditador de sociedade arregimentada.  Contra esse mental fascista, um grupo de guerrilheiros denominados Barato Vermelho, tenta através de ações diretas,  pungentes e libertadoras, eliminar as células desse governo. O grupo é liderado pelo casal Jorge de Capadócia  e Santa Clara. Nessa intensa luta pelo exorcismo de uma nação, o casal e os outros membros do Barato Vermelho ainda enfrentam o sacerdote Mallemus, a sádica ministra Dumpzilla e o exército de soldados máquinas denominados Sujeito a Guincho.                                            O episódio dessa primeira edição se chama A palo seco  e trata-se de uma referência a uma clássica música do cantor e compositor Belchior  , aliás a série Mondo Balordo  é toda alicerçada em referências clássicas dos anos 60 e 70 que desde sempre permeiam meus trabalhos. Na próxima postagem aqui no blog irei esmiuçar para vocês sobre elas e como se adequam à proposta do enredo da série.

Cabaret X , como eu e a Germana Viana definimos: romances gráficos de libertinagem e falta de pudor, está em pré-venda através do Catarse  e você pode garantir seu exemplar através desse link https://catarse.com.br/cabaret-x 

 

23 de julho de 2026

GIBI NOVO EM PRÉ-VENDA

           Entrou em pré venda essa semana o projeto da revista Cabaret X, que criei juntamente com a tremenda artista e querida amiga Germana Viana, e será publicado pela editora Zarabatana Books. Por enquanto é isso, mas volto a falar aqui da série que desenvolvi para esse trabalho. 

            O link da pré venda no Catarse



12 de julho de 2026

O CAMINHO DO RISCADO parte 04

             A mudança de acabamento, a arte-final e claro, consequentemente o desenho estava tomando conta completamente da minha visão de produção artística. Ao mesmo tempo que já não enxergava mais desenhar/arte-finalizar meus desenhos como vinha fazendo há anos em trabalhos como Yeshuah e Olimpo Tropical, por exemplo, havia um certo e pode se dizer conforto em trabalhar assim, primeiramente porque nos primeiros rabiscos no papel, mesmo sem ter passado nanquim, já tinha a visão antecipada do resultado  e principalmente de sua qualidade, dentro claro, do meu jeito de desenhar. E isso é confortante, como disse, inclusive, de certa forma, embasado pelos leitores dos meus trabalhos que gostavam dessa linha nos meus desenhos. Mas a intenção estava absoluta e começou a ser feita, de modo muitíssimo discreto, quase imperceptível em As senhas de Charlotte, álbum lançado em 2020, pela Epígrafe Editorial, editora de Foz do 

Iguaçu, ligada a Associação Internacional para Expansão da Conscienciologia - AIEC, trabalho fantástico que infelizmente ficou reduzido, até o momento, aos membros dessa associação.  A hq de edição luxuosíssima, vale, quem sabe, uma futura postagem aqui, contando seus processos de criação, tem roteiro adaptado de um livro de Honoré de Balzac, pelo Lillo Parra e cores do Omar Viñole, curiosamente, esse trabalho marca também nossa última parceria. Enfim, no decorrer dos desenhos dessa História em Quadrinhos, ia sutilmente experimentando a intenção de limpar o meu desenho. Quem ler, irá ver meu traço ainda carregado de hachuras, pequenos detalhes de risquinhos e tudo que vinha há anos fazendo, mas há momentos, mais uma vez comentando aqui, em que suprimia isso, deixando poucas coisas e isso valeu para realmente me julgar apto para mudar radicalmente meu traço. 

            O passo seguinte veio na produção de Aymará, parceria que estabeleci com a filósofa, escritora e espiritualista Rita Foelker, lançado em 2021 pela editora Café Espacial. Foi nesse trabalho que resolvi mudar radicalmente meu desenho e meu acabamento, indo de encontro diretamente às intenções. Não me pouparia. Por se tratar, inclusive de um projeto autoral, ou seja, não havia nada me impedindo. De quebra, resolvi experimentar algo além dessa mudança do desenho: fazer uma página com muito mais quadros. Geralmente minhas páginas possuem cinco, seis quadros, na época e mesmo hoje, resolvi que Aymará , teria uma decupagem de páginas influenciada pelas hq's européias, ou seja,  dez, doze, treze quadros. Mudando inclusive minha percepção de contar a cena e forma narrativa. Uma experiência enriquecedora, que muito me agradou e que também, mostrou-me outras possibilidades na

manufatura de um contar quadrinhos e, que não repeti mais essa experiência e digo que, urgentemente preciso fazer algo assim novamente. Na ocasião, a visão desse desejo, desse anseio, plasmado nas páginas dessa hq, foram muito mais que satisfatórias. Realmente foi a consolidação que essa mudança para minha carreira nos quadrinhos, precisava acontecer. Vale ressaltar que no âmago da coisa, não alterou em nada meu modo de conduzir a linha narrativa de uma história: o modo de pensar as cenas, planos, ângulos e tudo mais, mas trouxe uma nova forma de se trabalhar, acho que posso dizer assim, toda essa percepção, pois afinal de contas, o desenho era outro.  E, falando em desenho, um detalhe muito fundamental para essa mudança promovida na ocasião, um pouco antes dos desenhos de Aymará, creio eu, foi uma conversa que tive com o Ilustrador e designer Flavio Soares.

            Naquele período, conversava com alguns amigos ilustradores sobre a questão do traço e, foi justamente o Flavio que trouxe algo de um campo inusitado, que selou a minha intenção: ele comentou o quanto gostava do meu traço na série de tirinhas do  personagem David Escarlate , pelo design e pela síntese toda.

            Aquilo me soou tão inusitado, vindo de um lugar tão inesperado, que depois do espanto inicial, trouxe-me um imediato entendimento e aceitação, como respondi para ele: ...e faço isso (o desenho das tiras) sem sofrer! É rápido. E era esse o segredo: não é preciso "sofrer" para produzir uma página e gerar seu efeito, a coisa tem que ser simples e eficaz. Ao Flavio Soares, aliás, meu agradecimento pela contribuição nesse processo.

            Aymará , finalizado e entrando em pré-produção para publicação, já comecei então a pensar sobre o próximo trabalho que, já andava pela minha cabeça há alguns anos: As tentações de Santo Antão.  


16 de maio de 2026

A ODISSÉIA DE NINGUÉM

             Falando um pouco mais dessa talentosa e querida amiga Adriana Avelino, ela recentemente me homenageou criando essa página, que talvez... talvez... possa ter continuações, chamada Laudisséia. Pelo título, obviamente dá para perceber os elos, a simbologia da coisa toda e o mais interessantes, a ideia/intenção, nasceu de alguns dos muitos papos nossos à distância, via aplicativo.

            Desfrutem!


            Para conhecer mais do trabalho da Adriana Avelino é só clicar aqui

14 de maio de 2026

BRINCANDO DE RELEITURAS

 

Sabe aquela criação que você gostaria de ter feito? Pois é...
A profusão com que a talentosíssima artista Adriana Avelino (a mesma que me entrevistou recentemente, num delicioso bate-papo e que deixei o link na postagem anterior) cria seus personagens, suas histórias, seus universos (ou tira-se o plural para um único só, pois tudo parece vir de um mesmo vasto lugar) é assombroso e bom demais. E é nessas que, eu pelo menos, tenho vontade às vezes de ancorar e dar minhas releituras, contar suas histórias acrescentado um temperozinho próprio.
Aqui vai um exemplo de uma interpretação de uma criação dela inspirada no mito de São Cristóvão.

E, caso queira conhecer um pouco mais do trabalho dessa tremenda artista é conferir na sua página no Instagram

11 de maio de 2026

... MAIS UM DEDO DE PROSA!

             ...e a tremenda artista dos quadrinhos e da literatura Adriana Avelino, fez um entrevista tremenda comigo, à propósito do futuro lançamento da primeira edição da Biblioteca Brasileira de Quadrinhos, que trará um apanhado desses anos todos de minha carreira nos quadrinhos. O bate-papo vai num crescendo delicioso, que só uma pessoa talentosíssima e sensível como ela, conseguiriam extrair.


 Links para você conhecer o trabalho dessa artista: aqui e aqui



7 de maio de 2026

MAIS BATE-PAPO NO AR!

             No final do ano passado, 2025, participei do podcast da escola estúdio Modelo Design, aqui em São Paulo, conversando com seus artistas e professores Thyago Bastos e Luis Ayala, onde em um pouco mais de uma hora falamos sobre a profissão de desenhistas, processos de criação nos quadrinhos e mais algumas outras coisas. Papo delicioso, o pessoal da escola me acolheu com um carinho tremendo. 


Site da Modelo Design 

Canal do Youtube da Modelo Design

Instagram da Modelo Design

2 de maio de 2026

BATE-PAPO NO AR



            No final do ano do ano passado, o pessoal do Lasercast, podcast especializado em cultura pop, fez uma entrevista comigo à propósito de minha carreira e o lançamento do primeiro volume da coleção Biblioteca Brasileira de Quadrinhos, que breve será lançado pela Editora Go Comics e que, nessa primeira edição traz uma coletânea de meus quadrinhos curtos produzidos nos últimos vinte anos (alguns deles já comentei aqui no blog) que entraram em diversas revistas mix, além de um apanhado sobre minha carreira ao longo dos anos como quadrinista e ilustrador, uma tremenda edição, que breve vocês irão conhecer.
            E aqui vai o link da entrevista para vocês.


25 de abril de 2026

TEM MAIS ZÉ DO CAIXÃO CHEGANDO!

Tirando do baú e preparando para escanear as noventa páginas que compõe a adaptação do filme Esta noite encarnarei no teu cadáver, do grande José Mojica Marins, ou mais popularmente conhecido como Zé do Caixão, e que brevemente será republicado pela Editora Tábula. HQ desenhada há quase trinta anos e marca também o primeiro trabalho que fiz com o Omar Viñole na arte-final, o primeiro de muitos, como Yeshuah, Histórias do Clube da Esquina, Depois da meia-noite, a série da Tianinha, muita coisa.
Enfim, vai ter mais Zé do Caixão por aí!



 

30 de março de 2026

TEMPO DE MATURAÇÃO

            A última postagem que trouxe aqui nesse meu tão querido e velhinho blog, sobre as capas dos gibis do Zé do Caixão que produzi ao longo desses anos de trajetória, me suscitou a lembrança de uma situação vivida por ocasião da produção do álbum Zé do Caixão lançado pela Editora Marsupial em seu selo Jupati Books em 2016. Nessa publicação fora compilado as duas adaptações que fiz dos dois primeiros filmes do personagem, À meia-noite levarei a sua alma e Esta noite encarnarei em teu cadáver, sendo que a primeira adaptação havia sido publicada em 1995 pela Editora Nova Sampa e a segunda, apenas uma parte dela num projeto de minissérie, lançada pela Taquara Editorial, que acabou não se concretizando por problemas da casa publicadora, ficando apenas no primeiro número do que seria em três partes. Bem, tudo isso mais ou menos comentei na postagem anterior.

Lucio Luiz, dono da Editora Marsupial
            Durante o Festival Internacional de Quadrinhos - FIQ , tradicional e fundamental evento da nona arte brasileira que acontece em Belo Horizonte/MG, mais especificamente a nona edição, de 2015, foi que o pesquisador de quadrinhos e também dono da Editora Marsupial, Lucio Luiz, me veio com a proposta de lançar um álbum juntando essas duas hq's, numa edição caprichada, com nova capa, enfim, trazendo um belo projeto editorial. À princípio, a ideia para mim foi absolutamente aprovada pela enfim, publicação de Esta noite encarnarei em teu cadáver, que não havia conseguido seu intento que justamente era de trazer ao público leitor a versão integral da hq, porém havia seríssimas ressalvas com a republicação do material primeiro publicado em 1995, ou seja, a adaptação do primeiro filme do Mojica/Zé do Caixão. E, na ocasião, essa ressalva era consistente na minha cabeça, pois não queria de jeito nenhum publicar esse material novamente, e o motivo convergia totalmente na minha pessoa.

          A obra original, o filme do José Mojica Marins, é uma obra prima do cinema brasileiro e mundial, por centenas de motivos que, de minha parte dispensa comentá-los, pois já foi mais do que escrito, falado e comentado pelo país e pelo resto do mundo ao longo de décadas. Visceral, pungente, autentico e mais uma infinidade de adjetivos para no mínimo definir À meia-noite levarei a sua alma. Minha versão em quadrinhos, no meu modo de pensar na ocasião, era algo bem simples, quase sem um pensar mais aprofundado sobre o que estava fazendo ou seja, adaptando esse clássico que ia além do filme de terror, a estética, a forma gráfica de mostrar esse ícone da cultura nacional, quase ou já folclórica, era quase amadora e de um desenho bem deficiente. Em resumo, a obra e seu criador mereciam algo mais à sua altura, como já acontecera no passado, mais especificamente em final dos anos sessenta, quando o próprio Mojica produziu seus quadrinhos com dois mestres absolutos, Nico Rosso e Rodolfo Zalla. O peso das comparações...


            Lucio insistiu no resgate dessas duas publicações e da importância que teria dentro do panorama das hq's nacionais, claro que isso tudo me deixava lisonjeado, porém o elemento crítico que existe em todo artista, falava mais alto. Meu olhar sobre essa hq era diferente: para mim, julgava tratar-se de um trabalho muito fraco no que se refere ao desenho e todas as as possibilidades narrativas próprias para uma hq, diferente do que vinha produzindo, principalmente pelos resultados que vinha obtendo com a publicação até então da trilogia Yeshuah, ou seja, não me agradava trazer à baila novamente esse trabalho que tinha, como disse tanta ressalvas. Então, durante o tempo de nossa estadia em Belo Horizonte, por ocasião do evento, muito foi conversado entre eu e  Lucio e sempre tendo um não como resposta.

            Já em São Paulo, algum depois, numa passagem pela capital, Lúcio Luiz é natural  do Rio de Janeiro, durante um almoço juntamente com Flavio Soares, quadrinista, ilustrador e designer da Editora Marsupial na época, o assunto do álbum veio novamente à tona, já colado com minha negativa em relação à publicação de À meia-noite levarei a sua alma. Foi então que Flavio, tirou do bolso, uma ideia, no mínimo genial, que me deixou completamente sem ação para continuar na negação desse quadrinho: criar uma hq curta, como um tipo de introdução, de prefácio para o álbum, onde justamente eu contaria todo esse perrengue de minha parte, ou seja, todas as questões de não gostar da qualidade do meu trabalho feito naquela época, na insistência do Lúcio Luiz, a questão do resgate histórico, tudo num tom humorado e, a hq justamente culminaria com a aparição da entidade Zé do Caixão cobrando de mim essa decisão para liberar a hq, pois afinal, ele é o personagem focado, tudo embalado com as clássicas pragas que o agente funerário tornara famosas. A hq, de três páginas (um prefácio) termina com o Mojica em sua casa recebendo a notícia por telefone do Lúcio, informando que misteriosamente eu,enfim, concordara com a publicação.

Trecho do prefácio desenhado da edição "Zé do Caixão"
            

            Zé do Caixão foi publicado em 2016, contendo as duas hq's, mais esse prefácio desenhado e um outro texto meu comentando sobre todo processo criativo no adaptar os filmes do Mojica, o fazer  também hq's curtas e inéditas naquele período, juntamente com ele, criando os roteiros e o tanto de aprendizado de vida e de fazer arte que tive nas muitas conversas que tivemos ao longo dos anos. A publicação foi um grande sucesso, vende bem até hoje, pois vire e mexe autografo essa edição em alguns eventos que participo.

           Mas, trazer esse assunto para vocês, está numa questão um pouco maior que simplesmente um fato ocorrido com a publicação desse gibi (sim, bato na mesma tecla, vamos falar gibi!)...

Capa da nova edição publicada pela Tábula

           Em 2025, o Douglas da editora Tábula, casa publicadora que frequentemente participo com colaborações em suas diversas publicações, me propôs uma nova edição da adaptação de À meia-noite levarei a sua alma, pois já havia conversado com a Liz Marins, atriz, filha do Mojica e quem cuida dos direitos da obra do pai, que já havia autorizado a republicação e só faltava o meu ok, coisa que imediatamente teve o consentimento de minha parte. Falamos sobre o desenvolvimento de uma nova capa, onde foi proposto que ela se baseasse no cartaz original do filme de 1964 (na postagem anterior comento sobre isso) e assim, a nova edição da versão para quadrinhos do clássico filme do José Mojica Marins foi lançada no final deste mesmo ano, durante a CCXP- Comic Con Experience, evento fundamental para a cultura pop que acontece aqui em São Paulo, todos os anos.

            A rápida aprovação de minha parte, trouxe-me uma curiosa reflexão logo após o envio da resposta ao diretor da Tábula, sobre a tranquilidade, a aceitação desse trabalho, que tive. Uma curiosa sensação de calmaria na cabeça, no emocional, uma libertação, posso até arriscar a dizer. Diferente da negação quase absoluta que tive há dez anos atrás com a proposta da primeira republicação da Marsupial, num ímpeto quase (ou talvez totalmente) egocêntrico de julgar que o trabalho estava muito abaixo da qualidade do que então produzia na época. Esquecendo, mas esquecendo de uma forma absurda, que ele representava muito, mas provavelmente cem por cento, o sonho do menino de vinte e poucos anos, idade que tinha quando desenhei a hq de se lançar para o mundo, conquistando pessoas com o desejo de contar histórias desenhadas. O quadrinho tinha sim, sua validade, não só pela ideia em si da quadrinização do filme, pela aprovação do próprio cineasta, mas por ser absurdamente honesto no que se propôs e principalmente porque na época, a hq simplesmente foi desenhada, sem contaminações do ego que o tempo traz para a gente e que às vezes nos leva distantes da premissa do sonho inicial.

            Só com o tempo e com tanta coisa vivida, principalmente no campo pessoal-artístico e o entendimento, ou o princípio dele, que a idade traz, é que é possível, com a alma mais leve, mais pura, apenas dar um brevíssimo consentimento de algo que foi negado antes. Entendendo e principalmente aceitando e amando o que você foi, pois só assim se consegue prosseguir.

Trecho do perfácio desenhado da edição de 2016 de "Zé do Caixão"





         

     

1 de março de 2026

NO RASTRO DA MULHER-DIABA

No final do ano passado, 2025, durante o evento Comic Con Experience, CCXP, realizado aqui em São Paulo, um mega evento sobre cultura Pop, diga-se de passagem, lancei meu mais novo trabalho, "Mulher-Diaba no rastro da perdição" pela Editora Trem Fantasma, editora que há um bom tempo namorava a intenção de publicar algo  e que melhor momento e melhor hq que esta.                      Vale dizer que o gênero dessa história: aventura e cangaço, conversa diretamente com um linha de hq's que já vem sendo publicadas desde a criação da editora e muito em especial tem relação direta com outro título da casa: "Mulher-Diaba no rastro de Lampião", de Ataíde Braz no roteiro e Flavio Colin na arte. Exatamente, esse meu trabalho é uma sequência da obra original, que primeiramente foi publicada em meados dos anos 90 e republicada pela Trem Fantasma em 2024.
A proposta dessa sequência me foi trazida pelo próprio criador da personagem e da história, Ataíde Braz, justamente durante um bate-papo na CCXP de 2023 (se não me falhe a memória). Amigos há longa data, pelo menos desde os anos noventa, sou um tremendo admirador desse pernambucano talentosíssimo que é o Ataíde, por muitas histórias curtas suas que li, como obviamente pela "Mulher-Diaba" original feita com um cara de quem sou fã incondicional que é o Flavio Colin, mas principalmente por "Drácula, a sombra da noite" feito em parceria com sua esposa Neide Harue. 
            Proposta desafiadora, por mexer em um clássico dos quadrinhos nacionais que é a obra original, por ter o peso dos desenhos do Flavio Colin e claro por se tratar de uma tremenda história desse grande mestre da escrita, que é o Ataíde Braz. Essa "intimidação", vamos dizer assim, aconteceu nos primeiros momentos da proposta, nos primeiros cinco minutos, mas logo transformou-se no delicioso desafio de dar à minha leitura sobre o universo geográfico que essa saga acontece e, principalmente minha interpretação visual de Maria, a "Mulher-Diaba" e do próprio Cramulhão, coprotagonista dessa aventura. 
             Nunca havia trabalhado antes com esse gênero de histórias envolvendo especificamente o cangaço, havia passado perto, trabalhado em narrativas próximas , como é o caso do personagem Vérnio  de "O santo sangue" (nesse caso específico fui autor do roteiro e ficando à cargo de Marcel Bartholo, a arte). Então além do desafio de criar a minha versão de um universo já pré-estabelecido, havia também a experiência de me aventurar por um gênero que gosto muito e que muito influenciou-me através do cinema, como o clássico "Deus e o Diabo na terra do sol".
Ataíde Braz, roteirista e criador da Mulher-Diaba
            Para Maria, a protagonista, fui na busca imagética de uma mulher nordestina que obviamente remetesse à minha leitura, a minha visão do que seria essa mulher dentro do contexto histórico que ela vinha, ou seja, a primeira hq e aonde ela estaria inserida nessa continuação. Sua postura, sua observação pelo entorno e como iria lhe dar com todo o contexto apresentado. Sempre foi uma tônica em minhas histórias trabalhar com mulheres e colocá-las numa postura de força de domínio de si, 
algo comum em todas minhas personagens anteriores, independente se tenha sido eu o criador e roteirista. Curiosamente (ou talvez nem tanto assim) ao meu gosto pessoal e como criador, o rosto da personagem foi acertado de primeira, embora sem consultar a opinião final do Ataíde, o criador da Mulher-Diaba, obviamente que seria o dono do sim ou não para tocar a personagem visualmente. Curiosamente, com uma sincronicidade incrível, no mesmo dia que desenhei o concept da personagem, Ataíde enviou-me uma mensagem autorizando e dando completa confiança na forma que eu representaria a personagem e que seria muito importante  a minha leitura da mesma e não me prendesse à visão do Colin. Isso foi um primeiríssimo sinal que o caminho estava certo.
          Do roteiro original de "Mulher-Diaba no rastro da perdição" para a quadrinização tomei a liberdade de expandir sua narrativa visual, deixando com mais páginas que o proposto inicialmente na narrativa escrita, proporcionando um clima contemplativo do cenário que se apresenta em várias página, pois a história quase que toda acontece fora de ambientes fechados, então o agreste e mesmo o tempo chuvoso num sertão árido, que acontece do meio para o final, são personagens importantíssimos para a trama. E justamente a força desses personagens esta em sua ação silenciosa.
            A trama segue os acontecimentos posteriores a "Mulher-Diaba no rastro de Lampião", porém ela também retorna, antes dessa primeira história, contando como o Cramulhão fica desejoso da Maria, para que assim fique claro toda essa questão na saga dessa guerreira do sertão.
            O álbum ainda segue sua trilha de lançamento mesmo fazendo já alguns meses de sua publicação e assim espero que vá por mais um bom tempo, despertando interesse nos leitores que conhecem e os que desconhecem a versão primeira. A Mulher-Diaba aqui, desta nova hq, mesmo sendo uma continuação de uma obra originalmente publicada há mais de trinta anos atrás, segue seu caminho por si e assim tem que ser. Já o Ataíde Braz, preparou a terceira e derradeira história da Mulher-Diaba fechando todas as arestas. E acreditem, o clima no geral só esquenta com novos e velhos personagens das duas histórias se encontrando e se conflitando nesse final, mas, claro, isso ficará para um outro momento.
            O cuidado editorial da Trem Fantasma foi impecável. E como disse, se lá atrás, namorava a ideia de publicar pela casa, não há melhor estreia que essa.
Para quem quiser adquirir esse meu novo trabalho é entrar em contato com a editora através do seu site .
A paisagem é o silencioso personagem a mais dessa história





8 de dezembro de 2025

AUTOGRAFANDO EXEMPLARES DO YESHUAH

Com o Leonardo, um dos tantos leitores da hq que estiveram presentes

Não falha! Todos os eventos de quadrinhos/cultura pop que participo, seja em que local for do país, sempre tem leitores que trazem seus exemplares de Yeshuah absoluto para eu autografar. É um negócio que me deixa tremendamente emocionado, lisonjeado, feliz, enfim, não tenho adjetivos. Nessa edição de 2025 da CCXP a coisa extrapolou, pois a quantidade de Yeshuahs que autografei nesses dois dias de evento foge a regra. Gente de Curitiba, Belo Horizonte, Bahia, Rio de Janeiro. Pessoal encara horas de carro e ônibus para vir ao evento, trazendo em suas mochilas/malas exemplares (às vezes mais de um) meio pesadinho, pois o livro tem 500 páginas, capa dura, aquelas coisas para ganhar um autógrafo em suas edições. Quero de todo meu coração (e com certeza, em nome do Omar Viñole, meu parceiro nesse livro) agradecer a todos vocês pelo imenso carinho para com esse trabalho. Afinal foi feito para vocês.

2 de novembro de 2025

CONTANDO CANÇÕES

 


Nas minhas últimas postagens, tenho comentado sobre a grande influência que a estética dos anos 60 e 70 vem tendo nos meus quadrinhos, principalmente no visual, mas não só a estética, como também uma reinterpretação de algumas ideias e conceitos, histórias e personagens. E, refletindo melhor, isso não é de hoje. Se pensarmos, lá atrás, já em 1995, eu já vinha, de certa forma, cultivando isso quando lancei a adaptação do filme “À meia-noite levarei sua alma”, do José Mojica Marins, o popularíssimo Zé do Caixão. Bem, eis que, no final do ano passado ou início deste, não me recordo bem agora, veio uma deliciosa e inusitada proposta dos editores independentes Marcio Sno e Paulo Kobielski: participar de uma coletânea em que, juntamente com outros artistas dos quadrinhos, iria se dar uma leitura para canções clássicas do cantor e compositor Odair José. Como disse, uma deliciosa e inusitada proposta, prontamente aceita.

Cresci nos anos 70. Entre tantas outras coisas (gibis, cinema, televisão), ouvia muito rádio com minha mãe. E, vale lembrar que não existia naquela época essa coisa de rádio AM e FM como posteriormente aconteceu; era tudo uma coisa só. Lá ouvi muita música realmente popular, e antológicos radialistas como Haroldo de Andrade e Barros de Alencar. Até mesmo o mitológico Silvio Santos teve seu programa diário. E o desfile de cantores era infinito: Roberto Carlos (que meu pai era fã absoluto), Agnaldo Timóteo, Antônio Marcos, Paulo Sérgio, Benito Di Paula, Wanderléa, Rosemary, Claudia Barroso, Waldick Soriano, entre muitos, muitos. E tinha Odair José, que de certa maneira me chamava a atenção pelo seu visual, um pouco diferente daqueles galãs cantores (como eram chamados na época): cabeludo, muito magro, um olhar distante, sério, e, principalmente, cantando coisas que, então, para um menino de 12/13 anos, soavam estranhas. "Eu vou tirar você desse lugar": que lugar era esse? "Para de tomar a pílula?": que pílula? para quê? Vale salientar que falo de meio dos anos 70, e só aí existe uma diferença muito grande de um menino daquela época para hoje.

Retornando então: a proposta para participação nessa revista, que se chamaria "Gibi Proibido" (referência a outra clássica canção de Odair, "Revista Proibida"), a ideia para mim seria dar uma leitura justamente para um outro clássico absoluto, "Eu vou tirar você


desse lugar"
: a história do cara que fala para uma garota de programa que trabalha em uma casa de prostituição, ao qual se apaixonou perdidamente, que irá levá-la daquele lugar onde ela trabalha para que ambos construam uma vida de amor pleno. A HQ, então, teria um outro campo de visão, que seria da garota ao qual o personagem da canção e do quadrinho faz a promessa, aguardando, sonhando então com esse dia e a dura consequência dessa realidade.

Trabalho lançado. Prontinho para vocês lerem e conhecerem. O gibi traz ainda Bira Dantas, Germana Viana, Kico Garcia e Kris Zullo, grandes artistas dos quadrinhos também trazendo suas interpretações. A revista você encontra no meu site.

Uma honra, uma delícia, e mais uma concretização para uma linha de pensar e fazer quadrinhos que vem se estabelecendo em minha cabeça.

Ah, sim, em novembro fizemos um lançamento aqui em São Paulo da revista, com a presença minha, do Kris Zullo, Germana Viana e do editor Marcio Sno, além, óbvio, do próprio Odair... e num determinado momento foi dado pelo próprio um spoiler de algo que virá para 2026. Quem esteve presente pode saber, quem não, é aguardar.

Odair José com o editor Marcio Sno, os desenhistas Kris Zullo, Germana Viana e eu.



 

4 de junho de 2025

CELEBRANDO UM GRANDE MESTRE

Com Shimamoto durante um evento promovido pela Editora Criativo em uma hamburgueria em São Paulo

Acredito que como a maioria das pessoas que ficaram amigas desse grande mestre, a coisa toda ocorreu instantaneamente, no primeiro bate-papo trocado. Comigo foi assim em 1989,fazendo meu check out d'um hotel na cidade mineira de Araxá onde estava por ocasião de um evento de quadrinhos que estava acontecendo lá e ele fazendo seu check in no mesmo hotel. Grande mestre absoluto Júlio Shimamoto. Mais que influenciar, me inspirou, antes e hoje ainda, pela sua inquietação, pela sua grande cultura e pela sua arte sempre à frente. A gente tem que reverenciar.

1 de junho de 2025

TRABALHANDO NA ADAPTAÇÃO DE UM CLÁSSICO GÓTICO

          Em 2019 li pela primeira vez o clássico conto de John Polidori, O vampiro, e, embora conhecesse o enredo e a história real que originou essa obra, nunca cheguei a ter interesse na leitura. Porém naquele período estava muito interessado em obras pulps, peanny dreadfulls e temas desses gêneros. A história real conta sobre a noite chuvosa num nobre casarão na Suíça, onde Mary Shelley, Percy Shelley, Lord Byron e seu médico, John Polidori, que num jogo para ver quem pensaria a história mais assustadora de terror, viram nascer pela mente de Mary Shelley, a obra clássica definitiva, Frankenstein, mas também, foi nessa noite que nasceu esse outro clássico, que serviu de base para muitas outras obras futuras como Drácula de Bram Stoker e Carmilla de Sheridan Le Fanu.

        Essa leitura me impactou muito, pelo caráter da história em si, seus personagens e, principalmente, mesmo influenciando obras clássicas do gênero, ainda assim trazia suas diferenças, suas qualidades únicas. Foi então que já em 2020 em conversa com o pessoal da editora Ultimato do Bacon, propus a quadrinização fiel desse conto de Polidori. Sem querer fazer releituras, pois, a obra para mim era é tão perfeita que dispensaria (pelo menos para mim) um outro olhar e assim, foi publicada em 2021, inaugurando a editora e abrindo a coleção Escafandro, que por sinal, está aí até hoje com grande sucesso de vendas. 

Quatro momentos da minha adaptação.: primeiro o rafe da página, a finalização no nanquim , depois ganhando cores da Thaynan Lana e por fim legendada.

2 de janeiro de 2024

O QUE VEM POR AÍ EM 2024 (assim espero)

   Nesse ano que acabou de acabar, minhas atualizações neste, ao qual sempre me refiro como “meu bom e velho blog”, procurei manter um razoável ritmo de postagem. Não com aquela frequência ao qual muitas vezes pretendi, mas dentro da medida do possível estive comparecendo e compartilhando com vocês diversas coisas ligadas ao meu trabalho.

            Trazendo então minha primeira postagem de 2024, quero mostrar alguns dos projetos em andamento e outros já concluídos que provavelmente serão lançados ao decorrer deste ano. Obviamente não depende só de minha vontade (quem dera assim fosse!), mas envolve outros tantos independentes de minha pessoa. 

Não precisa me amar toda hora

Roteiro de Sergio Chaves. Querido amigo de longuíssima data. Editor, roteirista e design, que há quinze anos vem trazendo sua fundamental revista de cultura em geral, e claro, muito quadrinho, Café Espacial. Premiada inúmeras vezes com o HQ Mix. A hq conta sobre os conflitos pessoais e amorosos, e tudo misturado, de Simone uma mulher madura, professora, assim como das pessoas à sua volta: seu marido, um caso amoroso e uma amiga. Tudo ambientado numa metrópole paulistana.  Dentro do processo de quadrinização que venho desenvolvendo,  procurei dar um clima, um ritmo muito, mas muito inspirado nos filmes da Novélle Vague dos anos 60, assim como outros clássicos do cinema europeu deste mesmo período como Anônimo Veneziano. E tudo muito regado, obviamente a uma trilha sonora deste mesmo período e principalmente desses filmes e outros, ambientando o estúdio na hora de produzir as artes. Obviamente, na ocasião do lançamento voltarei a falar melhor dessa hq.


O homem do lado de fora

Roteiro meu, com arte estupenda de Rodrigo Mazer. Trata-se também de um roteiro produzido há algum tempo, assim como Não precisa me amar toda hora, e que teve todo um percurso até ser realizado. Aqui, um psicólogo pesquisador da expansão da consciência e seus métodos para tal realização, dr. Jefferson, enquanto realizava uma de suas experiências, acaba desdobrando sua consciência, atravessando as barreiras da realidade e enxergando o mundo, ou a verdade, como ela realmente é e, principalmente o horror que isso representa não só para ele como para todos nós. A arte hiper-realista do talentosíssimo Rodrigo Mazer traz o tom perfeito que esta história precisa ter.

Letícia faz cinema

Roteiro de Antonio Vicente Pietro, é uma viagem idílica e psicodélica por um universo do cinema clássico de todas as épocas e gêneros, tendo como protagonista, obviamente a Letícia do título: uma atriz que se submete à todas possibilidades que cada momento por ela vivido e experimentado dentro do universo cinematográfico. Muito sexo, sadomasoquismo e outros delírios.

O alimento do Dragão

Roteiro meu com arte estupenda de Marcel Bartholo. Anteriormente já havíamos feito O santo sangue, que inclusive ganhou um HQ mix de Melhor Roteirista. Esta hq traz uma nova peripécia de Vérnio, o matador de aluguel, protagonista de O santo sangue. Aqui, o personagem já está numa idade mais avançada que em sua aventura anterior e com problemas recorrentes, como a visão fraca e tremores nas mãos. Mesmo assim, precisando arrumar de dinheiro para seu sustento, inclusive para comprar seus remédios, aceita mais trabalho sujo: eliminar uma família de retirantes que se abrigaram nas terras de um latifundiário. A questão perene em toda história que envolve de certa forma todos os personagens é, o que alimenta realmente sua existência? Você tem fome de que? E assim, como em O santo sangue, a expectativa é se Vérnio irá ter uma nova experiência de vida e irá entender que é hora de mudar seu destino ou irá continuar preso à seus princípios?


            Todas essas produções em andamento (exceto O homem do lado de fora que já está totalmente finalizado) ainda estão sem editora, vale acrescentar e obviamente sem previsão exata de lançamento. Como disse, há um projeto de quem sejam lançados ao decorrer deste ano.

            Há ainda a série Ménage que faço com Germana Viana e Marcatti que deverá ter sua edição de número sete já em produção brevemente e outros projetos já concluídos há mais de uma ano e que ainda não posso divulgar. Vamos torcer que este ano, também saiam do forno.

             Começando o ano com uma perspectiva de semear e colher o fruto de tantos anos de amor por essa arte de contar e desenhar histórias.

      


30 de julho de 2023

SEMPRE A POESIA!

            Releitura de sábado a noite. Se aprofundando mais nesse trabalho incrível encabeçado pelo Sergio Chaves e Lidia Basoli há tantos anos. Tanta gente talentosíssima participando... Mariana Waechter, assinando a capa, Jana Lauxen, Maria Clara Carneiro, Talita Grass, assinando textos, quadrinhos de gente muito, muito batuta, boa, Alex Sander, Henrique Magalhães, Lielson Zeni, Ebbios, Rosana Moro e Liber Paz, e muitos outros tantos. Gente de altíssimo gabarito. Mas, a mim, a síntese da edição e com certeza uma síntese para nossa alma humana (independente do gênero) está absoluta no poema "Final girl" de Marcia Heloísa. 
           Obrigado Marcia, por esse vento forte e bonito de fé. Vai um trecho final...

escreva
para o desagrado
dos ferozes
e pelo resguardo
dos mansos

escreva
a despeito da certeza

em respeito aos mortos
em vinho aos mestres

escreva

para ser dona do desfecho

e não vítima
da vida                                                      


27 de outubro de 2021

AYMARÁ, LANÇAMENTO E NOVA PARCERIA

             Há vários trabalhos meus comentados aqui, mas há outras tantos que cometi o deslize de simplesmente deixar passar. Cadernos de Viagem, lançado em 2015 é um desses casos e ele está de certa forma ligado a esse novo trabalho que estou lançando agora em Outubro de 2021. Feito em parceria com a escritora, filósofa, pesquisadora e espiritualista Rita Foelker, Aymará, 


essa hq lançada pela Editora Café Espacial, volto a trabalhar com temas que a mim são caros: espiritualidade, aprendizado, entendimentos, cura, transcendências, compreensão... vários temas, vários assuntos que em verdade todos estão entrelaçados a uma coisa só: amor.

             Aymará conta a história de Ariel, jornalista, que durante um final de semana na praia, vivencia experiências pessoais que serão transformadoras. Por ser uma pessoa enraizada em suas convicções, sua forma de observar a vida e principalmente se relacionar com as pessoas, com seus amigos, tem toda essa postura jogado pro ar, forçando-a se adaptar às diversas situações vivenciadas e principalmente entender a si e aceitar os outros. Aymará é a pessoa, podemos dizer assim, que será o observador e conselheiro da jovem nesta jornada pessoal nesses dias no litoral. Uma misteriosa figura ligada ao povo Aymará, que vive em países da américa do sul, como Bolívia e Chile. Somente Ariel vê e conversa com ele, oque torna mais estranho e misterioso, pois quem ou o que é ele?

Rita Foelker, parceria do novo livro.
            A jornada pessoal de Ariel tem seu ápice durante uma cerimônia com Ayahuasca que acontece quase no final da história e será onde todos esses sentimentos revirados ficarão mais evidentes e postos à prova. Essa é a trama desta nova hq. Há uma história de backstage que vale compartilhar com vocês, envolvendo questões pessoais, a outra obra minha Cadernos de Viagem e até mesmo Yeshuah. Mas vou deixar para próxima postagem para saborearmos esse papo escrito meu com vocês de uma maneira mais contemplativa, como deve ser mesmo.

            O livro já se encontra à venda na loja do meu site, link aqui.