25 de maio de 2026

O CAMINHO DO RISCADO parte 01

            Houve um período em minha trajetória nos campos das artes, ou mais especificamente dizendo, nas Histórias em Quadrinhos, onde posso trazer uma analogia do tipo, "o carro já havia esquentado, então já dá para sair dirigindo!", em que meu objetivo era basicamente desenvolver um bom, senão melhor, traço realista, ou como se dizia nesse período, o traço "acadêmico", que por sinal, não faço a mínima ideia se ainda é usado esse termo... Para esse intento. estudava bastante os grandes mestres dessa linha de desenho que me inspiravam, tantos os gringos como brasileiros. Além de mestres também da pintura e fotografia. E, falando em fotografia, esta era muito usada para desenvolvimento dos desenhos. a referência pura.                                                                                                                     

           Desse período, que na atual data, contam-se mais ou menos uns trinta anos, na memória, há um trabalho que pega demasiadamente nessa vertente na busca pelo realismo no traço, que é a adaptação do filme do Zé do Caixão (cineasta José Mojica Marins), Esta noite encarnarei em teu cadáver, o filme em questão era o segundo do personagem e consequentemente a minha segunda também.                                                                                 


                 
 Neste trabalho está exposto uma imersão profunda na busca de um desenho bonito (pelo menos na minha leitura), bem realista e muito, com a ajuda inestimável e talentosa do arte-finalista Omar Viñole, onde justamente através desse trabalho começamos uma parceria que durou durante cinte anos.                                                                                                  

                   Daí para frente, alguns outros quadrinhos foram feitos, importante dizer que não era uma época tão produtivo editorialmente falando no cenário das hq's como hoje em dia, mesmo com tantas dificuldades financeiras que o país sempre está atravessando. Enfim, muito material erótico, de sexo explícito, uma ou outra hq de terror, e eventualmente alguma participação nos antigos fanzines, embora meu ritmo de produção colaborativa com a rapaziada independente estava muito abaixo do que minha atuação na década anterior. Foi ainda nesse período da segunda metade dos anos noventa que produzi a minissérie Depois da meia-noite, que por sinal, só viria a ser publicada, praticamente, dez anos depois e de forma independente. Aqui no blog, lá para trás, bem pra trás, comento sobre essa hq, procurem, procurem... Foi aí, nessa gibi, que comecei a melhor perceber como estava tremendamente preso de uma ideia - a da busca do desenho realista -  e claro, preso as referências fotográficas. Ou seja, por mais que até soubesse desenhar a cena pensada sem uso de fotografias, não conseguia me desvencilhar disso, pois o hábito... ou talvez o vício era maior.                                                                                                                                    


            

             Aqui, vale uma leve parada para melhor explicar e vocês, de alguma forma, visualizarem uma analogia que quero compartilhar: imaginem um objeto de maestria, de beleza (de desenho, no caso), onde você está atado totalmente a essa intenção, sem na realidade, ter absoluto ou quase absoluto domínio sobre ela, ou seja, você está preso, verdadeiramente, sem maestria alguma, apenas, na vontade, eterna busca de algo que te prende.

            Tratava-se dos anos noventa, e a internet estava a milhas e milhas da comum existência doméstica como é hoje em nossas vidas, portanto, para          trabalhar com as referências fotográficas, tinha no estúdio pastas e pastas        com  fotos recortadas de jornais, revistas, folhetos e o que mais fosse possível: corpos e faces masculinas e femininas, roupas, carros, casas internas e externamente, lugares, enfim, tudo que fosse possível ter para referência.                                                                                                            

                      

                                                                


16 de maio de 2026

A ODISSÉIA DE NINGUÉM

             Falando um pouco mais dessa talentosa e querida amiga Adriana Avelino, ela recentemente me homenageou criando essa página, que talvez... talvez... possa ter continuações, chamada Laudisséia. Pelo título, obviamente dá para perceber os elos, a simbologia da coisa toda e o mais interessantes, a ideia/intenção, nasceu de alguns dos muitos papos nossos à distância, via aplicativo.

            Desfrutem!


            Para conhecer mais do trabalho da Adriana Avelino é só clicar aqui

14 de maio de 2026

BRINCANDO DE RELEITURAS

 

Sabe aquela criação que você gostaria de ter feito? Pois é...
A profusão com que a talentosíssima artista Adriana Avelino (a mesma que me entrevistou recentemente, num delicioso bate-papo e que deixei o link na postagem anterior) cria seus personagens, suas histórias, seus universos (ou tira-se o plural para um único só, pois tudo parece vir de um mesmo vasto lugar) é assombroso e bom demais. E é nessas que, eu pelo menos, tenho vontade às vezes de ancorar e dar minhas releituras, contar suas histórias acrescentado um temperozinho próprio.
Aqui vai um exemplo de uma interpretação de uma criação dela inspirada no mito de São Cristóvão.

E, caso queira conhecer um pouco mais do trabalho dessa tremenda artista é conferir na sua página no Instagram

11 de maio de 2026

... MAIS UM DEDO DE PROSA!

             ...e a tremenda artista dos quadrinhos e da literatura Adriana Avelino, fez um entrevista tremenda comigo, à propósito do futuro lançamento da primeira edição da Biblioteca Brasileira de Quadrinhos, que trará um apanhado desses anos todos de minha carreira nos quadrinhos. O bate-papo vai num crescendo delicioso, que só uma pessoa talentosíssima e sensível como ela, conseguiriam extrair.


 Links para você conhecer o trabalho dessa artista: aqui e aqui



7 de maio de 2026

MAIS BATE-PAPO NO AR!

             No final do ano passado, 2025, participei do podcast da escola estúdio Modelo Design, aqui em São Paulo, conversando com seus artistas e professores Thyago Bastos e Luis Ayala, onde em um pouco mais de uma hora falamos sobre a profissão de desenhistas, processos de criação nos quadrinhos e mais algumas outras coisas. Papo delicioso, o pessoal da escola me acolheu com um carinho tremendo. 


Site da Modelo Design 

Canal do Youtube da Modelo Design

Instagram da Modelo Design

2 de maio de 2026

BATE-PAPO NO AR



            No final do ano do ano passado, o pessoal do Lasercast, podcast especializado em cultura pop, fez uma entrevista comigo à propósito de minha carreira e o lançamento do primeiro volume da coleção Biblioteca Brasileira de Quadrinhos, que breve será lançado pela Editora Go Comics e que, nessa primeira edição traz uma coletânea de meus quadrinhos curtos produzidos nos últimos vinte anos (alguns deles já comentei aqui no blog) que entraram em diversas revistas mix, além de um apanhado sobre minha carreira ao longo dos anos como quadrinista e ilustrador, uma tremenda edição, que breve vocês irão conhecer.
            E aqui vai o link da entrevista para vocês.


25 de abril de 2026

TEM MAIS ZÉ DO CAIXÃO CHEGANDO!

Tirando do baú e preparando para escanear as noventa páginas que compõe a adaptação do filme Esta noite encarnarei no teu cadáver, do grande José Mojica Marins, ou mais popularmente conhecido como Zé do Caixão, e que brevemente será republicado pela Editora Tábula. HQ desenhada há quase trinta anos e marca também o primeiro trabalho que fiz com o Omar Viñole na arte-final, o primeiro de muitos, como Yeshuah, Histórias do Clube da Esquina, Depois da meia-noite, a série da Tianinha, muita coisa.
Enfim, vai ter mais Zé do Caixão por aí!