Trabalhar com a página de humor da revista japonesa Alternativa ao longo de todo esses anos, e não me perguntem quantos, porque a memória anda falhando em algumas coisas, tem me proporcionado conhecer muita coisa da cultura do Japão, até então desconhecidas de mim e acredito de uma boa maioria, assim como muita coisa ligada aos dekasseguis, japoneses brasileiros que por lá vivem e trabalham, pra quem aliás, é direcionada a revista. Na edição de número 306, a matéria de capa fala sobre o universo dos tantousha, que numa tradução para nosso português seriam as pessoas responsáveis pelos serviços e pelas pessoas dentro de uma empresa, o elo entre patrão e empregado e aquele que sempre resolve um probleminha, ou problemão, quando acontece dentro de uma empresa.
Publicada originalmente na revista Alternativa#306
Na edição 305 da revista Alternativa,
a matéria de capa fala sobre a chegada da primavera ao Japão e com ela,
alguns problemas que todos os anos acontecem por lá durante esta estação do ano, ligados ao ar,
como a alta concentração de pólen, afetando muito a saúde dos japoneses. Esse
ano, além dos habituais problemas somou-se uma densa massa de poeira amarela
vinda da poluição da China, através de ventos de correntes marítimas. Essa
poeira amarela carrega uma partícula fina chamada PM 2.5, que traz alguns
sérios problemas ao ar e a saúde das pessoas, obviamente, deixando a população
japonesa em constante estado de alerta, além de gerar uma densa neblina
amarelada.
Publicada originalmente na revista Alternativa#305
Um dos melhores trabalhos nacionais lançados em 2012 foi, pelo menos para mim, foi Km Blues, roteiro de Daniel Esteves, desenhado por Wanderson de Souza e colorizado por Wagner de Souza, estes dois artistas como dá para perceber, irmãos. Esse trabalho foi um dos contemplados em 2011 pelo ProAC - Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo de Histórias em Quadrinhos e publicado de maneira independente e onde eu tive a honra de participar prefaciando a obra. Daniel Esteves, grande roteirista e que dispensa maiores apresentações foi o meu convidado no último Papo Mamão, que vocês podem conferir aqui no blog falando justamente desse seu trabalho e que está também entre os pré-indicados ao HQ Mix deste ano com a mesma hq. Indicação essa que com certeza vira a se confirmar. Vamos aguardar. Daniel estará então no próximo dia 6 de abril fazendo uma festa em sua escola HQ em Foco do seu Km Blues, com bate-papo dos autores, oficinas, bandas tocando, bebidas, gente, gente, gente e entre uma das atrações, Daniel convidou alguns amigos parceiros ou não de desenho para fazerem sua homenagem à hq. Essa aí abaixo é a minha colaboração.
Na postagem anterior comentando sobre
a questão de músicas e temas que servem como inspiração, clima, trilha sonora para
a criação e o desenvolvimento de uma HQ, concentrei o texto todo no meu
trabalho Yeshuah, onde ali sim, como puderam constatar, a música tem um papel
importante. Mas agora, para fechar essa série de textos sobre o assunto e essa
relação do meu trabalho com a música, reservei o espaço para comentar dois
quadrinhos meus: um especialmente inspiradíssimo na música e vindo da música, “Histórias
do Clube da Esquina”, álbum que lancei pela Devir Livraria em 2011 e que
homenageia o movimento musical vindo das Minas Gerais, mais especificamente de
uma esquina de uma rua do bairro de Santa Tereza em Belo Horizonte e outro,
sobre a série de hq’s da loira descolada e muito safada, a Tianinha que fiz
durante muitos anos.
“Histórias do Clube da Esquina” como
foi amplamente divulgado em matérias, entrevistas que dei e mesmo postagens
aqui no Banda Mamão, foi minha definitiva homenagem ao cantor, músico e
compositor Milton Nascimento e sua genial e talentosíssima turma de amigos como
Wagner Tiso, Fernando Brant, Ló e Marcio Borges, Beto Guedes, Toninho Horta,
Ronaldo Bastos e por aí vai, pois é muita gente, um clube que, como eles mesmo
dizem, não tem começo e nem fim. A música sempre teve um papel fundamental em
minha vida e muito durante minha entrada na adolescência e no decorrer dela,
como é claro, foi para muita gente. A música do Milton e turma foi pedra
fundamental que moldou muita coisa em mim, pessoal e artística. E claro, ouvi
muito o som da turma do Clube da esquina, muito, muito, muito.
Curiosamente durante a produção do
álbum “Histórias do Clube da Esquina”, onde muita das histórias contadas era
justamente sobre músicas clássicas do repertório da turma, pouco ouvi como
trilha sonora. Motivos diversos, um deles, talvez por já não ouvir tanta a música
deles, embora ainda ame e tenha minha reverência e outro por estar mais preocupado
em como desenvolver o livro em si, já que ele vinha com 14 páginas previamente
produzidas para o site do Museu Clube da Esquina que iria encaixar no livro. Uma
preocupação criativa, artística, porém técnica na preocupação clara de gerar
algo novo para os leitores que já conheciam esse primeiro material que estava
no site. O resultado final foi satisfatório e deu no que deu: uma excelente
vendagem tanto pelos leitores de quadrinhos interessados como para os fãs da música
do Clube da Esquina.
Enfim, muito mais que agregar várias
músicas para compor uma trilha sonora para criar, o silêncio puramente foi
elemento primordial para dar a cara a “Histórias do Clube da Esquina”, ou
falando de uma maneira mais poética, digamos assim, o amor feito neste livro
homenagem, transcendeu qualquer trilha, mesmo que fosse dos próprios
homenageados.
Tianinha, a loira safada, teve uma
tremenda notoriedade, uma boa legião de fãs principalmente via internet que
ainda hoje, passado quatro anos do termino de sua série ainda comentam sobre
ela e, como não poderia deixar de ser, vivem pirateando suas histórias por aí.
A série foi produzida de 2000 até 2009, com mais de cem hq’s criadas, três edições
especiais, um fotologue que chegou a ter 200 mil visitações mensais, enfim,
criar a série da Tianinha não teve que eu me lembre de alguma trilha básica que
servisse como fonte criadora. O Omar Viñole, arte-finalista e colorista da série,
comenta que o rock pauleira rodava em seu aparelho de som e computador nas
horas de trabalho nas hq’s da loira, eu, porém, sempre me servi mais das referências
cinematográficas, visuais, para gerar um clima mesmo, principalmente as
pornochanchadas nacionais dos anos 70 que pude assistir muito (milagre da
carteirinha falsificada, claro!), assim como os filmes pornôs dos anos 80,
quando a coisa ainda era, digamos, um pouco mais inocente, diferente da indústria
que se tornou hoje, principalmente no cinema pornô americano. Beldades do gênero,
como Debi Diamond e principalmente a loirinha deliciosa e mignon Ginger Lynn
foram fontes de inspiração para dar personalidade e na imagem da personagem. Quem
acompanhou a série da Tianinha pode perceber que há um clima de pornochnachada
dos anos 70 na série, onde o humor, situações doidas faziam parceria com o
erotismo. Tianinha foi sempre (e como não poderia ser diferente) mais visual em
suas fontes inspiradoras do que musical.
Mas claro, se vocês forem me
perguntar se existe alguma trilha sonora para se ler Tianinha, eu prefiro
responder que óbvio que sim, mas aí vai do seu gosto dentro do que você pode
imaginar d’uma loirona caliente, gostosona e disposta a te fazer sair do sério
em todos os sentidos. Enfim, se depois disso tudo, vocês ainda tiverem tempo de
pensar em uma trilha adequada, tudo bem.