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| Atual cara do estúdio |
Fica combinado. Promessa. E promessa é dívida.
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| Atual cara do estúdio |
Fica combinado. Promessa. E promessa é dívida.
Há vários trabalhos meus comentados aqui, mas há outras tantos que cometi o deslize de simplesmente deixar passar. Cadernos de Viagem, lançado em 2015 é um desses casos e ele está de certa forma ligado a esse novo trabalho que estou lançando agora em Outubro de 2021. Feito em parceria com a escritora, filósofa, pesquisadora e espiritualista Rita Foelker, Aymará,
Aymará conta a história de Ariel, jornalista, que durante um final de semana na praia, vivencia experiências pessoais que serão transformadoras. Por ser uma pessoa enraizada em suas convicções, sua forma de observar a vida e principalmente se relacionar com as pessoas, com seus amigos, tem toda essa postura jogado pro ar, forçando-a se adaptar às diversas situações vivenciadas e principalmente entender a si e aceitar os outros. Aymará é a pessoa, podemos dizer assim, que será o observador e conselheiro da jovem nesta jornada pessoal nesses dias no litoral. Uma misteriosa figura ligada ao povo Aymará, que vive em países da américa do sul, como Bolívia e Chile. Somente Ariel vê e conversa com ele, oque torna mais estranho e misterioso, pois quem ou o que é ele?
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| Rita Foelker, parceria do novo livro. |
O livro já se encontra à venda na loja do meu site, link aqui.
Venho trazendo para vocês em minhas últimas postagens algumas dicas sobre possibilidades de expressões faciais para trabalharem em suas hq's. Mais uma vez digo que, dependendo da linha de desenho, a variedade extensa de expressões não seja tão importante assim, mas por via de regra, essas variações, como também já foi dito, podem enriquecer a narrativa e trazer um outro sabor para o roteiro e consequentemente para o leitor. O assunto é vasto, dariam várias postagens, mas há outras questões na produção de uma hq que quero ainda compartilhar com vocês.
Mas para fecharmos essa questão, trago para vocês cenas de quatro clássicos do cinema, onde as imagens, as expressões falam além do texto. Claro que trata-se de mídias diferentes, cinema e quadrinhos, mas obviamente há um diálogo entre as duas desde sempre e que não é preciso tratá-lo aqui. Esses exemplos valem mais para observação de vocês e claro, assimilação e quem sabe, ajude nos futuros trabalhos.
Casablanca, clássico absoluto de 1942, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Na cena, o personagem de Bogart, Ricky reencontra sua amada Ilsa, após ela o ter abandonado há alguns anos atrás. A cena acontece no bar de Ricky embalada pela música do casal tocada pelo pianista. Reparem a sutil expressão de Ricky/Bogart ao constatar que sua amada, que o magoou está presente em seu bar, expressão essa que pode suscitar muitas possibilidades dentro dos sentimentos do personagem.
Há
muito tempo os quadrinhos saíram de sua fonte, de sua linha básica de narrativa
e expressividade imagética, acho até que se dispensa dizer isso, mas enfim, sempre
é bom reiterar pois os desavisados, os desinformados estão sempre de plantão.
No que se refere à criação do concept de um personagem, muito se evoluiu. Hoje
em dia temos personagens riquíssimos em seus perfis psicológicos e que em
alguns casos até, quando transpostos para outras mídias como no caso o cinema, muito
comum hoje em dia, às vezes, essa transposição fica devendo para o personagem e
sua versão original, os quadrinhos. Pois à vastidão que se criou tanto psicologicamente
quanto cenicamente para esse personagem e seu universo nas hq’s , que numa
adaptação para o cinema, em alguns casos, fica-se restrito aos conceitos
originais.
É
importante dizer, e aqui falo mais diretamente com os desenhistas, que é
fundamental estudar as formas que vai se trabalhar a expressão física dos
personagens, como serão mostradas as emoções na face desses indivíduos
ficcionais. Uma sugestão importante é estudar outras mídias, além dos
quadrinhos em si: cinema, teatro, dança,
literatura, o que for possível. Entender como emoções são mostradas nessas
outras formas de arte. Como em um filme e seu ator, o personagem em uma hq em
sua expressão pode agregar outros sentimentos além daquele que se está
mostrando no texto dentro do balão, ou em outros casos, uma expressão pode até dispensar
textos, dando assim um peso dramático muito maior do que se buscava. O estudo
de outras formas de arte pode propiciar um outro campo para sua criatividade na
hora de produzir uma história em quadrinhos. Basta simplesmente você como
aluno, como pesquisador, dar-se a liberdade para que esses novos elementos
venham agregar e aí, essas informações irão se transformar em qualidades para
sua arte.
Pense, por exemplo, que um sorriso pode significar muita coisa, além dos
sentimentos óbvios. Simples assim. Um olhar pode trazer infinitas possibilidades.
Há que se travar um duelo mortal apenas com troca de olhares. Pense nisso. Como
disse na postagem anterior, essas dicas podem funcionar tanto para o desenhista
que também escreve seu roteiro como para o que vai trabalhar com roteiro de um
escritor.
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| Sequência de "A história do ovo", às vezes a expressão no rosto do personagem pode dizer mais que um balão de fala. |
Mas é claro, esse processo, se existe uma busca por ele, há que se entender que tudo leva tempo para aprimoramento e, consequentemente chegar a melhoras, uma maestria, embora a busca sempre irá acontecer, esqueça um pouco então, a tal “maestria” e concentre-se na busca. O processo é simples, é estudar essas outras artes dentro do que busca para sua. Olhar os outros campos e ver o que eles podem trazer de útil e bonito para o seu.
Imagine
seu personagem como ele será visualmente quando for criar seu concept, saia do
lugar óbvio que tanto se fez e consequentemente se desgastou nos quadrinhos.
Tipo físico. Rostos. Como ele se veste? Saia do seu guarda-roupa e do guarda
roupa de seus conhecidos e imagine o mundo de seu personagem. Se for algo tão
fora do seu dia a dia, aquela velha regra: pesquise. Esqueçam, os meninos, por
exemplo, que uma garota sensual, precisa necessariamente se vestir de modo
excessivamente provocante. Pode justamente ser o contrário. Há outras formas de
se mostrar sensualidade. Isso é único exemplo, bem simples, pois as
possibilidades são infinitas.
Acho
que ainda vale uma postagem a mais onde quero esmiuçar um pouco mais essa
questão com vocês. Topam?
Hoje quero começar a postar aqui, pois provavelmente não poderá ficar mesmo somente nesse texto, uma conversa sobre criação de personagens e suas características físicas. Passo obviamente fundamental no processo de criação de uma História em Quadrinhos, e, dependendo do que será feito, pode acrescentar valores enormes ao roteiro, vai se tratar da caracterização de personagens que com certeza deixará o roteiro, de um parceiro ou seu mesmo, muito mais rico. É claro, que há estilos fantásticos de desenho que dispensam essa preocupação com características físicas, pelo seu traço em si que dispensa isso e está tudo perfeito. Mas quando se trabalha com variados tipos de desenho, estilizado, cartunesco, realista, esse ponto é importante. E se por caso não tenha feito isso ainda em suas hqs, pare um pouco e pense sobre o que seus personagens pedem no roteiro e como isso irá se transformar em imagem, e principalmente como isso pode transformar o roteiro, a história em gênese apenas no campo textual.
Geralmente é muito mais interessante no aspecto criativo, você trabalhar com o papel em branco, ou monitor, ipad, seja lá qual ferramenta for usar - lápis, mouse ou caneta digital, como disse tanto faz, pois é sua cabeça e sua criatividade. Quem trabalha com uma linha realista alicerçada referências fotográficas, vale sempre, porém, mais uma vez, buscar suas referências nos seus arquivos mentais, sempre é mais... saudável.
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| Sequência da minissérie "Depois da meia-noite"de 2007. Personagens criados à partir de referência fotográfica. |
Com o roteiro em mãos, vamos procurar então trabalhar no corpo, na fisionomia e nas roupas dos personagens. Mesmo que não exista tanta dica no texto, é importante criar um perfil psicológico do personagem e daí pensar em como ele irá se vestir e principalmente qual será sua aparência. Se há um parceiro como roteirista, procure conversar bastante com ele e ver as perspectivas dele desses personagens, lembrando que num caso assim, eles foram gerados inicialmente pelo seu parceiro escritor. Particularmente, e é óbvio que é uma opinião de muitos, que o escritor precisa ter o entendimento que está fazendo uma parceria, roteiro - arte, que se trata de uma obra feita à duas mãos, não existe a possibilidade de ser um viés só. Se por ventura, o roteirista for tão absoluto em suas ideias que não deixa espaços para o desenhista criar, pode ter um comprometimento muito negativo em si, pois por mais que se tenha uma plena visão do que criou, esse parceiro desenhista - e vale aqui lembrar que a história em quadrinhos será conduzida por ele- o criador das imagens, ou seja, quando o leitor pegar a publicação o que irá ver primeiro é justamente as imagens e não o roteiro. Portanto é importante que deixe o artista trazer sua visão, ela pode trazer temperos novos e enriquecedores. Pensando inclusive que ele quer contribuir para que a obra cresça, pois afinal de contas, o nome dele vai junto.
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| A personagem Tianinha em sua primeira fase no início dos anos 2000, com visual feito à partir de referências fotográficas. |
Como disse, essa conversa não poderia ficar numa única postagem. Acho que esse último ponto vale ser mais esmiuçado, que acha? Próxima semana?
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| Personagens de uma hq do livro "Mojica móveis" do roteirista Bruno Sorc, criados à partir de conversas e referências com o mesmo |
Há
alguns poucos anos atrás me propuseram uma hq longa para um projeto de edição
de um álbum, dessa proposta nasceu “Clã da Caverna do Medo”, uma história
ambientada no período da pré-história, sem no entanto ter uma demasiada
preocupação com fidelidade a esse ou aquele período da evolução humana.
Basicamente a trama consistia numa tribo já habitando casas construídas de
madeira e palha (mas também existiriam as que ainda morassem nas cavernas), que
seriam fatalmente atingida por um chuva de meteoros. Sem conhecimento do que de
fato estava ocorrendo e, por julgarem um tipo de vingança dos deuses da
natureza destruindo a humanidade, se refugiam nas cavernas, obviamente tentando
escapar desta ira dos deuses. Escondidos na caverna são surpreendidos por uma
tribo misteriosa de Homens-Jacaré, que até então não se sabia ao certo de sua
existência. A tribo julgando ter o mundo acabado não tem outra opção a não ser
tornar-se escrava desses seres. Os anos vão passando, a tribo agora vive no
interior da terra, sem nunca mais ter visto a luz do sol, escrava dos
Homens-Jacaré, construindo templos e cada vez mais se aprofundando no interior
da caverna. Até o dia que uma jovem, escapa e acaba descobrindo que tudo foi uma
falácia dos seres reptilianos para fazer seu povo de escravos. Enfim, essa era
a base da história para o projeto. A única questão é que o projeto acabou sendo
abortado.
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| Darkla e Lobo Pai, líder do clã da heroína |
Há
algum bom tempo até então, não havia trabalhado com a ideia de uma História em
Quadrinhos alicerçada na boa aventura. Claro, havia lá suas reflexões, metáforas
da realidade, mas basicamente o que existia era uma boa aventura. Na dúvida de
ter ou não um bom enredo, encaminhei a sinopse para alguns amigos também
artistas dos quadrinhos, para ter uma certificação da qualidade, o que fui
muito bem sucedido pela aprovação, porém a ideia foi pra gaveta. Nesses anos
todos de produção de quadrinhos, um dos méritos que gosto de contar é de
justamente não possuir material de arquivo. As ideias e mesmo os
quadrinhos prontos acabam de alguma forma ganhando vida e sendo publicados. Um
tempinho de hibernação na sua própria caverna, “O clã da caverna do medo” recentemente
veio ao mundo, não como foi concebido originalmente em termos de personagens e
em alguns pequenos detalhes da sinopse, razoáveis mudanças, sem alterar seu conteúdo.Por exemplo, o protagonista que era um
macho alfa daqueles clássicos, se tornou uma jovem descobrindo o mundo, seus sentimentos
e seus perigos, tudo misturado. A essa jovem heroína dei o nome de Darkla e
acrescentei no título, ficando “Darkla e o Clã da Caverna do Medo”. Demorou um tempinho,
mas a história e seus personagens criaram vida.
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| Os terríveis Homens-Jacaré, lenda que se trona real |
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| Filme clássico com a musa Raquel Welch, uma referência para o clima da HQ |
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| Pequeno herói no traço do meu filho Gabriel |