26 de abril de 2011

UMA ANTIGA GAROTA QUE REENCONTREI DIAS ATRÁS

          Esse desenho é antigo, bem antigo mesmo, tanto que não me recordo quando o fiz.
          Foi feito inicialmente para ilustrar a primeira versão do site do Estúdio Banda Desenhada, meu e do Omar (que aliás, fez a arte-final)  e acredito que veio a ser capa de alguns zines. Terrível falta de memória. Desculpem.

        Esse tipo de desenho com figuras femininas sempre me atraiu. A coisa da atitude de postura e olhar, sobrepondo à
mera questão sexual, mas também tendo seu lado erótico,
aliado a um visual fashion, me enriquecia a criatividade. Porém, confesso que houve um bom desgaste de alguns anos para cá. Mudança de traço, de estilo de desenhar, idéias, muitas outras coisas somadas.
         Mas esse desenho trombou comigo dias atrás e foi bom reve-lo e perceber que ainda gosto de seu resultado. Coisa que para maioria dos desenhistas é difícil, gostar plenamente de velhos trabalhos.

Mas o charme da morena continua o mesmo.

18 de abril de 2011

O PAI DO THOR PELO PAI DO GABRIEL

              Recentemente produzi uma ilustração para o livro "Asgard - a saga dos nove reinos", coletânea de contos que será lançada no final de abril agora (http://asgard-saga.blogspot.com/), nele produzi uma versão do todo poderoso Odin, ilustrando um conto do querido amigo Alex Mir. Sempre é um grande prazer e desafio mexer com esses mitos, ver as possibilidades que dá para criar em cima, mantendo uma característica pessoal, mas ao mesmo tempo fiel à origem do mito.

29 de março de 2011

A BARCA DO INFERNO III: UMA PRÉVIA

Acredito já ter dado uma boa explicada sobre esse meu novo trabalho que breve será lançado: a adaptação para os quadrinhos de "Auto da barca do inferno" de Gil Vicente, pela Editora Peirópolis, dentro da coleção Clássicos em HQ's. Falando isso para os desavisados que ocasionalmente não leram as duas postagens anteriores. É possível.
Nesse rumo todo, atravessando o caminho, veio uma proposta interessante: participar da revista literária "Pessoa" com uma hq de quatro páginas sobre Gil Vicente. A hq teria roteiro do Delfin, jornalista e responsável entre outras coisas, pelo design da revista e contaria uma situação fictícia tendo Gil Vicente como protagonista numa situação anterior à criação de seu texto mais famoso, o tal "Auto da Barca do Inferno".
Na história, Gil chega a uma taverna na província em que morava em Portugal e lá depara com todas as figuras que posteriormente eternizaria no seu auto: o judeu, a cafetina, o agiota, o padre e sua amante, os cavaleiros templários e é claro, o próprio diabo, aqui se apresentando como... Lúcio.
Dentro do alvoroço da taverna a discussão é sobre o desejo de sucesso de um tal Pedro Àlvares Cabral empreendendo uma viagem às Índias, o qual todos os presentes julgam ser um tremendo equívoco por parte do navegador lusitano. Vale dizer que Cabral foi contemporâneo de Gil Vicente. É à partir daí que o bem bolado roteiro do Delfin parte para uma excelente amarra no final. Claro que não contarei, leiam a hq.
E partindo desse enredo, para mim, estava óbvio que esse quadrinho funcionaria de certa forma como uma prévia para o àlbum a ser lançado com a adaptação e ainda dentro desse raciocínio, optei em usar os mesmo visual dos personagens usados para o "Auto da barca do inferno". Ficaria e ficou, pelo menos ao meu ver uma combinação perfeita. As duas hq's definitivamente estariam ligadas.

O trabalho foi uma parceria da Editora Peirópolis com a revista Pessoa e pode ser encontrada em todas as bibliotecas do país ou pela versão on line.

No resto, é aguardar o lançamento e por enquanto saboreiem, esse petisco.

15 de março de 2011

A BARCA DO INFERNO II

Continuando o papo com vocês falando sobre a adaptação para os quadrinhos do texto clássico do escritor português Gil Vicente , "Auto da barca do inferno".
Conforme comentei na primeira parte desta postagem, em uma reunião que fiz na Editora Peirópolis com Luciana Tonelli, coordenadora da coleção "Clássicos em HQ" ao qual a adaptação da barca fará parte e Maurício Soares Filho, Consultor Literário dessa coleção, chegamos a definição que era impossível adaptar o auto, pois por se tratar de um texto todo escrito em versos, qualquer tipo de adaptação, mataria a obra original, algo, óbvio, que não se poderia fazer de maneira alguma.
Por não se tratar de um texto longo, era viável fazer essa transposição para os quadrinhos, sem perder a cadência de uma boa narrativa de hq e também manter a fidelidade ao texto original e maravilhoso de Gil Vicente.
Como disse, anteriormente, a casa editorial, a Peirópolis, deu total liberdade para criação desse trabalho, assim claro, como foi feito aos outros autores dessa coleção, no caso. Nessa mesma reunião com a Luciana e o Maurício Soares, alguns pontos sobre a questão visual dos personagens, também foram definidos. A sintonia das idéias entre nós foi tanta que, pouquíssima coisa, pouca mesmo, foi mexida. O Maurício, que além de consultor literáro da coleção, é bacharel em interpretação  tetral pela Unicamp, especialista em direção teatral pela Middlesex University de Londres, autor de literatura pelo Sistema Anglo de Ensino , onde também é professor, dá aulas regularmente no Colégio São Luís e é apresentador do Programa  "Fala fera" da TV União em São João da Boa Vista, entre muitas outras coisas em seu currículo, entendeu perfeitamente qual era minha proposta para essa quadrinização na questão visual dos personagens e nosso papo foi fundamental para fechar o assunto. Em pequenos detalhes do texto do Gil Vicente, sua explicação definiu alguns personagens como o protagonista, o diabo, ou o antagonista , o anjo.
O personagem do diabo nesse texto e em especial nessa adaptação é longe da visão aterrorizante de uma história de terror ou mesmo dentro dos dogmas católicos, na verdade,  como o recepcionista e condutor das pessoas que com ele embarcarão na derradeira viagem ao inferno, é quase cômico, ou satírico, termo melhor, pois sabe que todos irão consigo, mesmo que inicialmente, essas almas acreditem que para o céu irão. O diabo então, deixa eles, durante alguns minutos, acreditarem nisso, armadilhas do ego, para que depois da ilusão desfeita pelo condutor da barca do céu, o anjo, voltem conformados com a situação final para então, à barca do inferno irem. Claro, ele se diverte com toda essa situação.
As figuras que por essa cais passam, o fidalgo, a alcoviteira e cafetina, o agiota, o padre, e mais alguns outros são, reflexos de uma sociedade da época em que Gil Vicente escreveu e que infelizmente ainda persistem hoje, com força. Nada mudou. O texto de Gil é direto e carregado de críticas às vezes sutis e às vezes não tanto. A figura do diabo então, brinca com tudo isso, pois ele conhece a alma de cada um, merecedores absolutos de seus lugares no inferno.
Não preciso dizer o quanto foi saboroso trabalhar com esse personagem, com esse texto.  Algo como se fosse uma parceria mesmo, algo autoral. E uma presunção, me desculpem, Gil Vicente-Laudo, mas assim foi.
Outros personagens, como o anjo, baseei-me no anjo do clássico filme do expressionismo alemão "Fausto". Acho que está tudo ali nesse filme e como disse, fui lá beber de inspiração também.
Outros personagens, como o Parvo, o bobo, veio de alguns quadros de Hieronymus Bosch, onde se vê muitas figuras dentro de cenários fantásticos que esse artista holandês criou, mostrando muitas pessoas com expressões entre a loucura e a razão e é lá que vi o meu Parvo desse quadrinho.

Claro, toda essa paixão pelo texto de Gil Vicente, não veio somente agora com a proposta dessa adaptação, nada disso, é história muito mais antiga. Minha esposa, Romana Flora, atriz, durante muitos anos trabalhou numa das montagens mais conhecidas desse texto, feita pelo Grupo Dragão 7 e lá sim, foi quando conheci esse texto e fui aos poucos saboreando esse jogo de idéias. Aliás, foi minha esposa que muito me ajudou também no melhor entendimento da obra e do texto, literalmente, pois é escrito num português antigo, por vezes difícil de entender.
Na próxima postagem, a última sobre essa adaptação, falo da idéia em si da obra em quadrinhos e de um "apêndice" feito para revista "Pessoa", a hq "Gil Vicente" que servirá como um antepasto para a edição.



10 de março de 2011

RABISCANDO NA CASA DA SOGRA

Eu sei que devo a vocês a segunda parte sobre minha adaptação para os quadrinhos do "Auto da Barca do Inferno", mas o tempo anda (pra variar) demasiadamente curto, e aí, para falar mais um pouco para vocês é preciso mais... calma... para melhor deixar as idéias fluirem. Vocês, claro, entendem o que digo.
Mas para não ficar com abismos nas postagens aqui, trago para vocês uns rabiscos que fiz no final de 2010 na casa de minha sogra. Sim, a casa da sogra pode inspirar algumas coisas.

Minha sogra mora no interior, na cidade de Jaboticabal, próxima a Ribeirão Preto. Terra muito, muito quente e no final de ano (período em que fiz esses desenhos ) a coisa vira o caldeirão do inferno. Numa próxima, mostro uma visão do meu estado plenamente encalorado. Por enquanto, fiquem com pedacinhos da casa de dona Branca, ela mesmo, a querida sogra.