Vez ou outra, costumo mexer em antigas pastas de originais para buscar algum determinado desenho para essa ou aquela exposição ou algo do gênero, e nesses dias atrás, numa destas procuras arqueológicas, encontrei esse layout feito para um trabalho para empresa ECOLAB. Várias ilustrações que iriam auxiliar uma palestra sobre questões de higienização de ambientes, e no caso específico deste desenho, trata-se de uma cozinha de um restaurante.
O motivo de eu trazer esse layout para vocês, é mostrar um processo da caminhada entre a primeira ideia, feito num desenho quase que definitivo para que o cliente possa ter uma perfeita noção do resultado final e os ajustes. Notem nas laterais da imagem e em cima e abaixo, anotações feitas durante uma reunião de avaliação do layout, assim como rabiscos e anotações feitos no próprio desenho.
Vale mais como curiosidade, principalmente para rapaziada que está iniciando nos desenhos e na área de ilustração.
27 de agosto de 2014
15 de agosto de 2014
EU, O MONSTRO !
O Marcos Freitas, gaúcho de Porto de Alegre, cara arretado! é um velho conhecido dos idos tempos dos fanzines, daquela época em que existia uma profusão de publicações independentes, a grande maioria impressa na base do xerox e enviada via correio. Como disse, idos tempos dos fanzines, em que nem se pensava no advento do e-mail. Marcos naquela época publicava o fanzine Quadritos, que sempre achei uma das melhores publicações que circulava pelo meio alternativo, principalmente pela qualidade dos colaboradores e pelo carinho, zelo e cuidado com que produzia as edições. Enfim, o tempo passou e Marcos, por sorte de todos que conhecem seu trabalho ou passaram a conhecer, se manteve fiel a seu ideal de editor e há algum tempo atrás voltou a publicar seu Quadritos, só que desta vez impresso, bonitinho, off-set, com mais páginas, capa em couché, tudo caprichado e contando com um time de colaboradores da época das edições xerocadas, um time seleto, Edgar Franco, Gazy Andraus, Flávio Calazans, Elmano, Emir Ribeiro, entre muitos outros e eu tenho a honra de fazer parte desse grupo seleto.
Nessa retomada, Marcos mais alicerçado, mais profissional, volta como editora independente, a Atomic Quadrinhos e vem mostrando competência, qualidade e fôlego, pois além de continuar à publicar a Quadritos, vem trazendo outras publicações, como obras inéditas dos mestres Mozart Couto e Emir Ribeiro e uma nova série em especial, o qual denominou Monstros dos Fanzines, trazendo coletâneas de artistas que foram ligados ao universo independente. Ele abriu essa série de publicações com o saudoso Joacy Jamis, numa bela homenagem a esse grande artista que nos deixou muito cedo, seguindo de Flávio Calazans e agora, a terceira edição... eu.
Nesse àlbum de quase duzentas páginas estão reunidas hq's produzidas entre final dos anos 80 até hoje em dia. A seleção foi feita por mim, com um critério que proporcionasse aos leitores um bom apanhado de vários momentos de minha carreira dentro dos quadrinhos, que, chega até mais que esse período escolhido, mas irrevelante para constar numa coletânea. Vale comentar aqui para vocês sobre algumas hq's que estão nessa edição...
A morte como ela é, parceria minha com o Marcos Pereira no roteiro (o Marcos posteriormente virou Dark Marcos) e arte-final do Omar. Essa hq foi produzida em meados dos anos 90, para um projeto em traria de volta a personagem Naiara, a filha de Drácula, criação de Nico Rosso e Helena Fonseca, o projeto para novas aventuras da personagem acabou não decolando e nem essa hq foi publicada. Outra hq inédita é Zé do Caixão e a Cobra Maléfica, roteiro do próprio José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Essa hq, também de meados dos anos 90 é da fase em que fiz várias hq's curtas do personagem, além do àlbum À meia-noite levarei a sua alma, baseado no filme homônimo. Essa hq é a única que
ficou inédita e traz uma personagem criada pelo Mojica na ocasião, uma espécie de arqui-inimiga do Zé do Caixão. O ódio, os dólares e a vingança, minha única experiência até hoje em escrever e desenhar uma hq de faroeste e que mesmo passado muitos anos, ela é de início dos anos 90, traço completamente diferente do que hoje faço, ainda gosto bastante deste trabalho. Nele há uma característica que posteriormente ficou como uma marca em meus trabalhos, principalmente quando escritos por mim, que são as personagens femininas como protagonistas.
Há ainda hq's da Tianinha, três histórias d'um período de sua longa série, bem interessante, uma oputra série erótica que desenvolvi para outra editora, mas que teve vida curta, embora eu gostasse muito pela proposta de focar mais no humor do que propriamente o erotismo, 2+Uns; algumas tirinhas do Banda Mamão, algumas ilustrações, e muitos outros quadrinhos. Uma grande alegria ver essa edição e uma grande honra pelo Marcos ter escolhido o meu trabalho para compôr essa sua coleção.
Vale dizer ainda sobre uma extensa entrevista que o Marcos fez comigo e, que abre a edição, deixando o leitor muito bem a par de minha trajetória no universo dos quadrinhos até hoje e fecha com um texto inspiradíssimo do querido mestre e amigo Júlio Shimamoto, uma grande satisfação tê-lo neste àlbum.
Uma reunião de mais de vinte anos de amor aos desenhos, aos quadrinhos, a arte de desenhar, numa edição feita com muito capricho e carinho pelo Marcos Freitas e pela Atomic Quadrinhos.
E claro, para quem é fã dos meus trabalhos e quiser adquirir essa coletânea é entrar em contato com a editora neste endereço.
Nessa retomada, Marcos mais alicerçado, mais profissional, volta como editora independente, a Atomic Quadrinhos e vem mostrando competência, qualidade e fôlego, pois além de continuar à publicar a Quadritos, vem trazendo outras publicações, como obras inéditas dos mestres Mozart Couto e Emir Ribeiro e uma nova série em especial, o qual denominou Monstros dos Fanzines, trazendo coletâneas de artistas que foram ligados ao universo independente. Ele abriu essa série de publicações com o saudoso Joacy Jamis, numa bela homenagem a esse grande artista que nos deixou muito cedo, seguindo de Flávio Calazans e agora, a terceira edição... eu.
Nesse àlbum de quase duzentas páginas estão reunidas hq's produzidas entre final dos anos 80 até hoje em dia. A seleção foi feita por mim, com um critério que proporcionasse aos leitores um bom apanhado de vários momentos de minha carreira dentro dos quadrinhos, que, chega até mais que esse período escolhido, mas irrevelante para constar numa coletânea. Vale comentar aqui para vocês sobre algumas hq's que estão nessa edição...
A morte como ela é, parceria minha com o Marcos Pereira no roteiro (o Marcos posteriormente virou Dark Marcos) e arte-final do Omar. Essa hq foi produzida em meados dos anos 90, para um projeto em traria de volta a personagem Naiara, a filha de Drácula, criação de Nico Rosso e Helena Fonseca, o projeto para novas aventuras da personagem acabou não decolando e nem essa hq foi publicada. Outra hq inédita é Zé do Caixão e a Cobra Maléfica, roteiro do próprio José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Essa hq, também de meados dos anos 90 é da fase em que fiz várias hq's curtas do personagem, além do àlbum À meia-noite levarei a sua alma, baseado no filme homônimo. Essa hq é a única que
ficou inédita e traz uma personagem criada pelo Mojica na ocasião, uma espécie de arqui-inimiga do Zé do Caixão. O ódio, os dólares e a vingança, minha única experiência até hoje em escrever e desenhar uma hq de faroeste e que mesmo passado muitos anos, ela é de início dos anos 90, traço completamente diferente do que hoje faço, ainda gosto bastante deste trabalho. Nele há uma característica que posteriormente ficou como uma marca em meus trabalhos, principalmente quando escritos por mim, que são as personagens femininas como protagonistas.
Há ainda hq's da Tianinha, três histórias d'um período de sua longa série, bem interessante, uma oputra série erótica que desenvolvi para outra editora, mas que teve vida curta, embora eu gostasse muito pela proposta de focar mais no humor do que propriamente o erotismo, 2+Uns; algumas tirinhas do Banda Mamão, algumas ilustrações, e muitos outros quadrinhos. Uma grande alegria ver essa edição e uma grande honra pelo Marcos ter escolhido o meu trabalho para compôr essa sua coleção.
Vale dizer ainda sobre uma extensa entrevista que o Marcos fez comigo e, que abre a edição, deixando o leitor muito bem a par de minha trajetória no universo dos quadrinhos até hoje e fecha com um texto inspiradíssimo do querido mestre e amigo Júlio Shimamoto, uma grande satisfação tê-lo neste àlbum.
Uma reunião de mais de vinte anos de amor aos desenhos, aos quadrinhos, a arte de desenhar, numa edição feita com muito capricho e carinho pelo Marcos Freitas e pela Atomic Quadrinhos.
E claro, para quem é fã dos meus trabalhos e quiser adquirir essa coletânea é entrar em contato com a editora neste endereço.
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Lançamentos
23 de julho de 2014
YESHUAH NO HQ ALÉM DOS BALÕES
Entrou no ar esta semana, uma nova edição do programa HQ Além dos Balões, criado e apresentado pelo Fábio Sales. O programa foi um dos primeiros programas via web, acredito, focado na produção de hq's, principalmente as nacionais e volta agora, depois de um longo tempo ausente. O Fábio já me entrevistou várias vezes e, desde a primeira, me cativou pela forma simpática e inteligente com que conduz suas entrevistas e principalmente por conhecer o entrevistado e consequentemente o material que produz. Curiosamente, quando entrevistado na ocasião do lançamento da primeira parte da trilogia Yeshuah, "Assim em cima assim embaixo" em fevereiro de 2010, no dia seguinte, meu filho Gabriel chegou ao mundo. Então, para mim, seria importante fechar o ciclo desta série também, conversando com o Fábio sobre este último livro recém-lançado, "Onde tudo está".
O programa HQ Além dos Balões será vinculado à partir deste pela Visual Art TV do Roberval Sales.
O programa HQ Além dos Balões será vinculado à partir deste pela Visual Art TV do Roberval Sales.
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Yeshuah
17 de julho de 2014
TALKING ABOUT YESHUAH IN TALK SHOW
No último dia 9 de junho, estive no programa Talk Show do canal de web Flix TV, apresentado pela Celia Coev, batendo um papo sobre o lançamento de Yeshuah - Onde tudo está. Quem não pode assistir na ocasião, pode conferir por aqui.
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Entrevistas,
Yeshuah
11 de julho de 2014
HANGOUT YESHUAH
Ontem, 10/07/2014, eu e o Omar Viñole, fizemos um hangout através doGoogle+, onde conversamos, num bate-papo descontraído, sobre o trabalho de criação dos três álbuns Yeshuah, processo criativo, influências, pesquisas e mais uma série de outras questões. A conversa contou também com a participação de alguns amigos, mandando suas perguntas.
Então, quem não pôde ver ao vivo, está aqui na íntegra, para vocês.
Então, quem não pôde ver ao vivo, está aqui na íntegra, para vocês.
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Entrevistas,
Yeshuah
4 de julho de 2014
FALANDO SOBRE YESHUAH NA RÁDIO DA TERRA
No dia 1º de julho, participei da Rádio da Terra, dando uma entrevista ao professor Celso Zymon. Foi um bate-papo muito agradável, onde pude falar bastante à respeito da trilogia de álbuns Yeshuah.
A Rádio da Terra é uma web rádio criada pelo Celso Zymon para abordar assuntos ligados a saúde natural, espiritualidade, arte e evolução humana. Um belo trabalho de comunicação.
Quem quiser ouvir a rádio que está online 24h. é só acessar este endereço.
A Rádio da Terra é uma web rádio criada pelo Celso Zymon para abordar assuntos ligados a saúde natural, espiritualidade, arte e evolução humana. Um belo trabalho de comunicação.
Quem quiser ouvir a rádio que está online 24h. é só acessar este endereço.
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Yeshuah
22 de junho de 2014
MUITO ALÉM DO PASTEL DE BELÉM
No mês de maio, conforme comentei com vocês na postagem anterior, empreendi uma viagem a Europa, juntamente com o velho amigo André Diniz, ambos convidados pela organização do Festival Internacional de BD da cidade de Beja, Portugal. No embalo de nossa ida à terra lusitana, demos uma passada muito rápida, porém muito proveitosa em Roma e Paris. A viagem, além do passeio turístico, trouxe entendimentos e descobertas, tanto para vida pessoal, quanto profissional e artística, isso não é conversa filosófica num botequim ou mesmo em um café francês. A constatação que o mundo é muito grande, porém muito pequeno, foi algo muito forte e talvez pôde ser melhor percebida pela visão madura (eu acho) de uma pessoa de cinquenta anos. É claro que, em uma viagem feita por dois criadores de Histórias em Quadrinhos, a conversa por mais que se estendesse à outros campos, sempre resvalava no nosso universo de paixão e ofício.
Entrando nas livrarias especializadas de quadrinhos na França, onde a quantidade de publicação é uma coisa tão absurda que a gente acaba nem querendo comprar nada, pois a experiência de percepção disso, para um desenhador, é algo muito mais profunda e concreta do que tão somente comprar meia dúzia de álbuns, ou vendo em Roma, alguns autores de fumetti expostos em livrarias junto com autores de literatura e com o mesmo peso e relevância para leitores, pude voltar meus olhos para o Brasil e principalmente para meu trabalho, que sempre teve essa preocupação de ter características próprias, não só pelo traço, mas pelo tempero, pelo cheiro, uma marca genuinamente brasileira, porém, ao mesmo tempo, do mundo. Há vivências, entendimentos, marcas, fontes, referências, nos quadrinhos
europeus que os distinguem e isso é perceptível, andando nas cidades, vendo as ruas e suas arquiteturas, cores, pessoas, no clima, então isso é deles, da mesma forma que há tudo isso em nosso país, que pode ser do resto do mundo e, não digo isso me referindo aos clichês turísticos brasileiros, samba, praia, futebol, bunda (ah!) e Amazônia. Há muito mais e não precisa ser alegórico. Precisa ser sincero. Esse foi o entendimento profundo e é essa a busca.
Mas por fim, nossa passagem, minha e do Diniz, por Beja, foi algo muito bonito e o festival de BD, ótimo. A cidade é de uma beleza emocionante e mais ainda, as pessoas. O festival foi de uma simplicidade e grandiosidade ímpar, que tocou não só a mim, ao André, mas também outros grandes desenhadores brasileiros que estiveram presentes, José Aguiar, Laerte e Klévisson Viana e, acredito a outros convidados de outros países, como David Loyd e Caterina e Antônio Crepax, filhos do grande Guido Crepax e pessoas muito queridas. Em Beja, além de lançar "Yeshuah - onde tudo está", tive uma exposição em conjunto com Diniz, mostrando alguns de nossos trabalhos, inclusive "Olimpo tropical" que estou desenhando em cima d'um roteiro dele e que será lançado em Portugal, além de amostras individuais nossas. O carinho com que a curadoria do evento criou tudo, foi algo perceptível e de resultado excelente, sem eleger esse ou aquele como "maiores", todos éramos iguais. Não é à toa, claro, que esse festival foi para sua décima exposição e com certeza seguirá muitos anos pela frente.
Curioso foi um comentário, feito pelo Diniz, em nossa passagem por Roma e mais especificamente visitando o Vaticano, na Basílica de São Pedro, eu lá estupefato pela grandiosidade e beleza artística e humana de tudo (esqueçam a questão igreja católica, ok?) e meu amigo trouxe o feliz e emocionado comentário: "Olha aí, você veio coroar o lançamento do Yeshuah aqui!". Perfeito. Mas ainda vale um adendo, a conclusão de tudo isso, inclusive a emoção do lançamento do meu novo livro, veio na hora de nos despedirmos de Beja e mais especificamente falando da figura de Paulo Monteiro, roteirista, desenhista, e responsável pelo evento. A emoção final de uma despedida de um amigo tão recente e que curiosamente parece ser tão antigo, tão querido, tão sincero, tão amado, foi muito forte. Alguém onde você tem a experiência (esse é o termo) de ter uma amizade sincera, livre de qualquer coisa, qualquer vício humano. Os vários abraços de despedida enquanto entrávamos no carro que nos conduziria até Lisboa e a emoção, canalizada através de quase lágrimas, foi algo muito forte e aí sim, coroou a mim e com certeza ao Diniz, toda essa viagem. Um amigo distante, lá nas terras de Camões, tão longe e aqui tão perto. Coroando toda essa experiência de 17 dias de viagem, com o ato de amor e carinho.
Nessas, vale lembrar algumas brincadeiras que amigos fizeram comigo antes de embarcar, "Vai a Portugal? Come um pastel de Belém!", mas claro, Portugal é muito mais que só pastel de Belém, gastronomicamente falando é um paraíso, principalmente no que se refere à doces, muito além do "pastel de Belém". A balança e os quilinhos a mais que o digam.
E muito mais que tudo isso, é o carinho sentido, vivenciado, presente em cada pequeno gesto, pequeno sorriso, em conversas bobas, no amor pela vida e em nosso caso específico, em nossa arte de criar. Arte de criar emoção e vida.
Entrando nas livrarias especializadas de quadrinhos na França, onde a quantidade de publicação é uma coisa tão absurda que a gente acaba nem querendo comprar nada, pois a experiência de percepção disso, para um desenhador, é algo muito mais profunda e concreta do que tão somente comprar meia dúzia de álbuns, ou vendo em Roma, alguns autores de fumetti expostos em livrarias junto com autores de literatura e com o mesmo peso e relevância para leitores, pude voltar meus olhos para o Brasil e principalmente para meu trabalho, que sempre teve essa preocupação de ter características próprias, não só pelo traço, mas pelo tempero, pelo cheiro, uma marca genuinamente brasileira, porém, ao mesmo tempo, do mundo. Há vivências, entendimentos, marcas, fontes, referências, nos quadrinhos
europeus que os distinguem e isso é perceptível, andando nas cidades, vendo as ruas e suas arquiteturas, cores, pessoas, no clima, então isso é deles, da mesma forma que há tudo isso em nosso país, que pode ser do resto do mundo e, não digo isso me referindo aos clichês turísticos brasileiros, samba, praia, futebol, bunda (ah!) e Amazônia. Há muito mais e não precisa ser alegórico. Precisa ser sincero. Esse foi o entendimento profundo e é essa a busca.
Mas por fim, nossa passagem, minha e do Diniz, por Beja, foi algo muito bonito e o festival de BD, ótimo. A cidade é de uma beleza emocionante e mais ainda, as pessoas. O festival foi de uma simplicidade e grandiosidade ímpar, que tocou não só a mim, ao André, mas também outros grandes desenhadores brasileiros que estiveram presentes, José Aguiar, Laerte e Klévisson Viana e, acredito a outros convidados de outros países, como David Loyd e Caterina e Antônio Crepax, filhos do grande Guido Crepax e pessoas muito queridas. Em Beja, além de lançar "Yeshuah - onde tudo está", tive uma exposição em conjunto com Diniz, mostrando alguns de nossos trabalhos, inclusive "Olimpo tropical" que estou desenhando em cima d'um roteiro dele e que será lançado em Portugal, além de amostras individuais nossas. O carinho com que a curadoria do evento criou tudo, foi algo perceptível e de resultado excelente, sem eleger esse ou aquele como "maiores", todos éramos iguais. Não é à toa, claro, que esse festival foi para sua décima exposição e com certeza seguirá muitos anos pela frente.
Curioso foi um comentário, feito pelo Diniz, em nossa passagem por Roma e mais especificamente visitando o Vaticano, na Basílica de São Pedro, eu lá estupefato pela grandiosidade e beleza artística e humana de tudo (esqueçam a questão igreja católica, ok?) e meu amigo trouxe o feliz e emocionado comentário: "Olha aí, você veio coroar o lançamento do Yeshuah aqui!". Perfeito. Mas ainda vale um adendo, a conclusão de tudo isso, inclusive a emoção do lançamento do meu novo livro, veio na hora de nos despedirmos de Beja e mais especificamente falando da figura de Paulo Monteiro, roteirista, desenhista, e responsável pelo evento. A emoção final de uma despedida de um amigo tão recente e que curiosamente parece ser tão antigo, tão querido, tão sincero, tão amado, foi muito forte. Alguém onde você tem a experiência (esse é o termo) de ter uma amizade sincera, livre de qualquer coisa, qualquer vício humano. Os vários abraços de despedida enquanto entrávamos no carro que nos conduziria até Lisboa e a emoção, canalizada através de quase lágrimas, foi algo muito forte e aí sim, coroou a mim e com certeza ao Diniz, toda essa viagem. Um amigo distante, lá nas terras de Camões, tão longe e aqui tão perto. Coroando toda essa experiência de 17 dias de viagem, com o ato de amor e carinho.
Nessas, vale lembrar algumas brincadeiras que amigos fizeram comigo antes de embarcar, "Vai a Portugal? Come um pastel de Belém!", mas claro, Portugal é muito mais que só pastel de Belém, gastronomicamente falando é um paraíso, principalmente no que se refere à doces, muito além do "pastel de Belém". A balança e os quilinhos a mais que o digam.
E muito mais que tudo isso, é o carinho sentido, vivenciado, presente em cada pequeno gesto, pequeno sorriso, em conversas bobas, no amor pela vida e em nosso caso específico, em nossa arte de criar. Arte de criar emoção e vida.
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