16 de abril de 2014

DA IDEIA PARA FINALIZAÇÃO I


            Há algum tempo atrás, o desenhista e editor Mário Latino, me pediu uma arte para capa da edição 86 de seu jornal de tiras Graphiq, um trabalho de fôlego seu que, mensalmente reúne um time de cartunistas de primeira linha que publicam tiras e seus personagens, além de colaboradores, estudiosos e pesquisadores que escrevem sobre o universo dos quadrinhos. Um trabalho de grande qualidade, de grande relevância e de muito carinho, inclusive porque a distribuição do jornal é gratuita.
         Para compôr a idéia da arte para essa capa, num primeiro momento descartei a ideia de trabalhar com algo de humor, engraçado, pois não é a minha praia, por mais que faça minhas tiras do Banda Mamão publicadas no site do meu
estúdio , mas isso é uma outra história, enfim. Quem trabalha com criação sabe que muitas vezes, algumas coisas são pensadas, equacionadas, e, se não obtém ótimos resultados, pelos menos são satisfatórios, e há aquelas ideias que simplesmente vem e dispensam maiores explicações, maiores entendimentos dentro do plano racional. Aí, na minha opinião, pelo menos, se trabalha com a criação instintiva do artista e a interpretação instintiva do leitor, neste caso. E foi por aí, que cometi a arte da capa da Graphiq 86, juntando alguns elementos lúdicos e de memória afetiva do leitor, mas levemente contaminada, que é uma Alice (do país das maravilhas, com um vestidinho que inclusive remete à animação da Disney) um pouco mais, crescidinha, digamos assim, num encontro mágico em misterioso, e claro, o resto da interpretação, se é que se precisa, fica para os leitores. Optei também em fazer a mão o título do jornal, junto com a ilustração, para ficar algo mais rústico, meio antigo, digamos assim, dispensando o uso de fonte do computador sobreposta à arte.
           No canto superior à direita, está o primeiro estudo que fiz, com a primeira intenção da imagem, rabisco rápido mesmo para guardar a idéia e abaixo, a versão em preto e branco, onde usei pincel, canetinhas nanquim descartáveis e bico de pena e posteriormente a versão colorida, numa levada mais monocromática. Enfim, o processo foi esse. Boa apreciada.


11 de abril de 2014

ESTUDOS PARA CAPA DO "AUTO DA BARCA DO INFERNO"

          Hoje trago para vocês, o processo de criação da capa do álbum Auto da barca do inferno, adaptação para os quadrinhos do clássico texto teatral do autor português Gil Vicente que fiz e foi publicada pela Editora Peirópolis em 2011. A ideia pensada foi mostrar o anfitrião da história, o diabo, como que recebendo o leitor, convidando-o para entrar na barca do inferno, algo que ocorre durante todo o texto teatral e consequentemente na hq, portanto, a capa do álbum já ambientaria o leitor no clima que encontraria no quadrinho.
          Duas primeiras versões foram feitas, antes de chegar à definitiva.
          Para quem quiser saber mais sobre o processo de criação deste trabalho, é só conferir aqui mesmo no blog.
Primeiros dois estudos para capa

Terceiro e último estudo e a versão final da capa impressa



3 de abril de 2014

O MASCARADO MEIA-NOITE VOLTA EM VERSÃO DIGITAL

           Nesta semana entrou no ar a versão para aplicativo da minissérie “Depois da meia-noite”, para iPAD. Este projeto veio acontecer graças a uma parceria minha e do Omar, através do nosso Estúdio Banda Desenhada e da empresa Caos Developers do Vitor Amaral e Alex Cardoso, num momento propício, onde tanto eu como o Omar estava  cogitando  transformar nossos trabalhos em quadrinhos para o digital, aplicativos e e-books. A parceria com os meninos da Caos  aconteceu numa sintonia perfeita e principalmente com objetivos comuns.
         
  A versão para aplicativo do “Depois da meia-noite” ficou no mínimo, excelente. Em cada edição, o leitor terá vários recursos como animação de algumas páginas, áudio com ambientação da história (onde poderá habilitar ou desabilitar), visualizar as edições e banners informativos. A versão é 1.0 e a compatibilidade para o aplicativo requer iOS 7. E para muito breve, será lançada a versão em inglês. A minissérie é recomendada para maiores de 17 anos.
           Abaixo, amigo, neste preview, você terá uma noção do que espera na versão digital do “Depois da meia-noite”.
           Para os que não se recordam deste trabalho, ou não conhecem, ele teve roteiro e desenhos meus e arte-final do Omar, foi lançado em 2007 em três edições publicadas de forma independente pelo nosso selo Quadro Imaginário. A HQ mostra a caça de dois policiais a um serial killer conhecido como Meia-noite. A história é contada através de alguns personagens que são interligados, como uma policial viciada em heroína, um padre em crise religiosa, um policial aposentado sem uma perna, e um misterioso suspeito de ser o próprio assassino. A minissérie ganhou HQ Mix em 2008 de Melhor Publicação Independente Especial, além de ter sido muito bem recebida pela crítica especializada e pelo público.
           Enfim, com este lançamento, o Estúdio Banda Desenhada, ou melhor dizendo, Laudo Ferreira e Omar Viñole, estreiam uma parceria que com certeza vai gerar muitos frutos legais para essa geração dos quadrinhos digitais e o próximo já está sendo preparado para e-book que é a revista do personagem Coelho Nero do Omar, “Coisas que um coelho pode te dizer” e que breve será lançada. É aguardar.
           Para visualizar e adquirir as edições (a primeira é gratuita) é só clicar aqui.
            




31 de março de 2014

O SUPER-HERÓI VENDENDO PRODUTOS

            Salve, queridos amigos. Como estão?
            Depois de um enorme, enorme tempo de abandono deste blog, faço um mea culpa, pelo desleixo com ele e consequentemente com vocês, leitores e pessoas que curtem meu trabalho. Prometo que esse destrato não volta a acontecer. Ok, já fiz isso anteriormente, mas prometo não perder o foco e pelo menos, atualizar o Banda Mamão uma vez por semana, no mínimo, combinado?
             E nesta postagem de "retorno", vou trazer algo para vocês muito comum para quem desenha e trabalha com publicidade e também produz Histórias em Quadrinhos.

            Sempre achei curioso algumas agências de publicidade ou de eventos, quando contratam algum desenhista que trabalha com Histórias em Quadrinhos e solicita a criação de uma hq ou um personagem para determinada campanha, vez ou outra enveredam na onda do super-herói, é como se criar quadrinhos fosse sinônimo de  criar “heróis”.
          Em alguns casos, durante reuniões nas empresas contratantes, consegui reverter a situação e fazer com que o cliente entendesse que a História em Quadrinhos é simplesmente o meio com que será levada a campanha, a proposta da empresa, podendo ser qualquer outra mídia, qualquer outra forma de expressão artística: cinema, teatro, música, o que mais for possível e, que no caso de uma hq não carece necessariamente de elos com o universo americanizado do herói. Porém, em muitos casos, o cliente é irredutível e julga que aquela ideia é... genial.
           Essas duas ilustrações foram propostas que apresentei a um cliente para uma super-heroína que representaria uma determinada marca. A ideia seria justamente uma super-heroína clássica nos moldes dos comics americanos. Muitos esboços foram feitos e o melhor, usando uma garota como modelo e que iria ser usada também para encarnar a personagem em carne e osso. É claro, que não fiquei com nenhuma imagem da versão real da heroína e, por fim, depois de muitos estudos, o cliente optou por outra ideia desenvolvida, esquecendo o universo super. Graças!




6 de fevereiro de 2014

TIRINHAS DO MAMÃO E DO COELHO CHEGANDO NO SITE DO BANDA

            Esse ano de 2014, uma das intenções que aos poucos irei colocar em prática é acentuar a relação dos meus quadrinhos com o universo digital, além deste velho e querido blog, aos poucos irei comentando e divulgando essas novidades por aqui.
            A primeira novidade é a estréia da secção de tirinhas no meu site com o Omar, o Estúdio Banda Desenhada. Toda a semana, iremos postar, de segunda a quinta-feira, tiras inéditas e também já publicadas em outros meios, do Coelho Nero, criação do Omar e Banda Mamão, tiras que produzi durante três anos para um blog próprio (atualmente fora do ar). Nesse novo momento  para esta secção do site, além de publicar esse material antigo, irei produzir uma batelada de tiras inéditas, dentro de uma nova concepção para essa série. É aguardar.

           Portanto, amigos, à partir de segunda é só clicar no site do estúdio e acompanhar nossas tirinhas. Até lá.

22 de janeiro de 2014

POSE PARA VIRAR O MARCATTI

            Sempre é interessante mostrar para as pessoas que gostam e acompanham o trabalho da gente, alguns processos de criação de ilustrações ou histórias em quadrinhos, pois em alguns casos, o caminho para criar e finalizar um arte tomam rumos interessantes e curiosos.
            Trago para vocês então,  a arte que fiz em 2012 para o evento Dossiê HQ, promovido pela loja de quadrinhos Gibiteria. Já comentei inúmeras vezes aqui sobre esse evento, onde sempre um artista é entrevistado por um outro artista, jornalista ou estudioso de hq's, falando sobre sua carreira, processos de trabalho, etc. No caso aqui, a arte seria para um bate papo entre o cartunista Marcatti, um dos grandes nomes do quadrinho nacional e o jornalista e estudioso de quadrinhos, Paulo Ramos.
           Marcatti, figura conhecidíssima no cenário nacional das hq's pela sua linha de histórias sempre pontuadas pela escatologia, mostrando sempre o lado podre do ser humano, com altas doses de humor e sarcasmo e com a marca de se auto-editar, fazendo sempre suas edições em sua impressora própria dentro de sua casa. Trabalhos de primeira qualidade, um exemplo do "quem quer faz", além de grande figura, grande ser humano, grande mestre. Enfim, para fazer a arte do cartaz deste grande encontro, achei num primeiro momento que seria interessante focar na figura do próprio Marcatti numa postura, digamos, bem punk, bem underground, com um olhar desafiador para o leitor e numa atitude própria dos seus quadrinhos, dando uma solene cuspida, daquelas bem nojentas, provocativas e certeiras.
            Para ter essa expressão desejada, pensei num primeiro momento contactar com o próprio Marcatti e pedir que posasse para mim ou mesmo que me enviasse uma foto dentro desta intenção. Num rápido segundo momento achei que seria mais interessante surpreendê-lo com a arte pronta, daí optei em usar a mim mesmo como modelo e, posteriormente na hora de fazer o desenho,  adequar meu rosto para o do Marcatti. Arte, pronta, preparei o background do cartaz, ainda dentro da ideia provocativa, escarrada e, então veio aquela coisa que deve ser comum em todos que estão num processo de criação, às vezes intenso: o incômodo com aquilo que acabou de ser feito. Apesar de ter gostado do traço, da finalização e achar que enfim, estava razoavelmente parecido com o Marcatti, algo nessa arte estava me incomodando e muito ao ponto de me fazer olhar umas dez vezes ou mais para a imagem numa tentativa de aceitação ou repúdio. E por fim, fui definitivamente para a segunda opção descartando essa primeira arte.
A segunda ideia foi trabalhar dentro de um traço mais simples de cartum, com doses caricaturais mais fortes e com uma imagem propondo uma situação e uma piada, digamos assim. No jornalista Paulo Ramos, uma das coisas que chama a atenção quando o conhecemos pessoalmente pela primeira é sua altíssima estatura e outro fato é o de sempre vestir roupas escuras, geralmente pretas. A ideia esta pronta, colocar Marcatti numa situação meio que apresentando o seu entrevistador e estupefacto pelo tamanho do mesmo onde o leitor apenas vê um pedaço de seu corpo, devido a seu tamanho. Idéia aprovada, arte feita e também aprovada e de agrado para todos. Afinal, a responsabilidade com o entrevistado e entrevistador era grande em todos os sentidos.

E para quem quiser conhecer o site do Marcatti é visitando aqui , a página do jornalista Paulo Ramos, aqui e neste endereço o site da Gibiteria.

                 

6 de janeiro de 2014

CAFÉS QUE INSPIRAM

            Salve, queridos amigos. Começando mais um ano cheio de ânimos, esperanças, inspirações e vontades e, como disse, na postagem anterior, a última de 2013, vamos adiante, sempre. Então, como primeira postagem de 2014, trago a vocês uma ilustração feita para o pessoal da Associação Café Espacial, que, entre outras coisas edita a ótima revista Café Espacial, o qual já comentei inúmeras vezes aqui, pela minha constante participação e laços afetivos com todos, em especial ao Serginho Chaves, criador de todo esse bonito trabalho. Esta ilustração fez parte da exposição Prove um gole de Café Espacial, que ocorreu em 2012 em Marília, interior de São Paulo e em Portugal, que comemorou os cinco anos da revista. A ilustração aliás, foi batizada de Carmélia descansa.