18 de fevereiro de 2018

TIANINHA, UMA FORÇA VIVA QUE RETORNA


Capa da nova revista da personagem Tianinha
            No período em que produzi a série da Tianinha, que compreende do ano 2000 até 2009, costumava brincar com o pessoal da redação da revista Sexy, local onde a personagem foi publicada todo esse tempo, mensalmente em uma versão menor e barata da publicação carro chefe da editora, uma revista chamada Sexy Total,  que a loira era na realidade uma entidade viva, um tipo de pomba-gira, que não dava para brincar/zombar dela não. O motivo desta brincadeira, era que nos primeiríssimos anos de produção da série, o dono da editora deixara público que não gostava de Histórias em Quadrinhos e que só vinha publicando as hq’s da personagem, porque o gênero ao qual ela estava vinculada, o erótico, mostrava à princípio muito forte para o público alvo da Sexy Total, apenas por isso, segundo ele. E neste período, várias vezes tentou tirar a secção da revista, tentativa infrutífera em todas as suas vezes, pois em pesquisas com leitores, a parte da publicação que os leitores mais gostavam, era justamente as aventuras sexuais da loira safada Tianinha. E assim decorreram nove anos de um sucesso crescente.
Tianinha foi criada por mim a pedido do primeiro editor da revista, Licínio Rios, inclusive o nome da personagem foi proposto por ele, fazendo uma alusão a uma conhecida colega sua, também do meio editorial. O sucesso da loira se estendeu na internet também, num período em que os fotologs e blogs começavam a ganhar mais espaço e popularidade. O fotolog da personagem que durou uns bons anos, chegou a ter duzentas mil visitações em um mês, o que não é pouco hoje e muito menos na época, 2005/2006…
O final da série  ocorreu pelo cancelamento do título da revista, pela vendagem baixa que já se manifestava no mercado editorial em relação aos títulos masculinos, as revistas de mulher pelada. E, naquele período optei também em dar uma aposentadoria para personagem. Costumava brincar em bate-papos entre amigos e mesmo em eventuais entrevistas, quando me perguntavam da personagem, dizendo que ela estaria em algum lugar paradisíaco do mundo gozando, como sempre fez muito bem, de umas merecidas férias, afinal nove anos, é para poucos, dentro do cenário do quadrinho nacional.                                    
           Agora, por que voltar a produzir suas hq’s, passado todos esses anos? Confesso não ser do meu estilo, voltar a trabalhar com coisas já feitas, principalmente material que foi exaustivamente produzido. Muitos amigos editores independentes e autores, já propuseram que trouxesse à tona esse ou aquele personagem ou mesmo desse continuidade a esse ou aquele livro, mas não, sempre fui da intenção de seguir adiante, pois há muita ideia por aí esperando ser colhida. Porém em um determinado momento, há uns dois anos atrás, algumas coisas começaram a acontecer que foram montando um painel de possibilidades na minha cabeça: conversa com alguns amigos que foram ligados direta ou indiretamente à personagem, como o jornalista Roberto Sadovski, que foi editor um período da Sexy e da Sexy Total, um grupo de garotas, jovens, entre seus vinte e poucos anos, que foram em uma palestra minha e lá, depois numa conversa informal, contaram ser fãs da personagem e o quanto a Tianinha representava para elas como conceito feminino, enfim, tudo isso foi gerando algo e algo novo na minha cabeça. Foi então que realmente pude perceber que livre, digamos assim, das rédeas de uma revista masculina onde obrigatoriamente a Tianinha teve que assumir uma postura erótica o tempo todo, pois era a tônica de suas histórias, a personagem mostrou para mim que tinha um universo de possibilidades a serem exploradas, claro, também o erotismo, mas muito mais. Poderia traze-la do gênero onde ela ficou sedimentada, para o que hoje é o meu pensar de criar hq’s, gerar entretenimento. E assim foi feita a aposta que foi lançada no mês de outubro de 2017: Tianinha – O ponto transcendental.


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